Ministra alemã compara Bush com Hitler e enfurece oposição

A oposição conservadora do governo alemão exigiu hoje a renúncia da ministra da Justiça, Herta Daeubler-Gmelin, que teria comparado o presidente dos EUA, George W. Bush, com Adolf Hitler, em função da ameaça de lançar uma guerra contra o Iraque. A ministra disse ontem, durante uma pequena reunião com líderes sindicais, que Bush estava ameaçando o Iraque para desviar a atenção de problemas domésticos, como a desaceleração da economia, escreveu segundo o jornal Schwaebisches Tagblatt. "Esse é um método popular. Até Hitler fez isso", teria dito Herta.A ministra afirmou hoje que a matéria era enganosa, mas não negou a declaração. A oposição conservadora, que espera derrotar o social-democrata Gerhard Schroeder nas eleições de domingo, denunciou que o comentário revelou que o governo de centro-esquerda é antiamericano e pediu a renúncia da ministra."Isso mostra o que Schroeder e seus social-democratas pensam realmente de nossos aliados americanos", disse Thomas Goppel, um assessor do líder conservador Edmund Stoiber. O partido de Schroeder "tenta deliberadamente criar a impressão de que o verdadeiro oponente é Bush, e não Saddam Hussein", acrescentou. Um porta-voz do governo alemão disse que o chanceler Gerhard Schroeder não conseguia imaginar que Daeubler-Gmelin tenha tido a intenção de vincular Bush a Hitler. "Qualquer um que queira comparar o presidente americano com um criminoso não tem lugar no governo", garantiu Schroeder.Mas em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, reagiu com duras críticas ao episódio. "Os Estados Unidos e a Alemanha têm uma relação muito longa e valiosa, e as relações entre os povos dos Estados Unidos e da Alemanha são muito importantes para os americanos", afirmou. "Mas essa declaração da ministra da Justiça é ultrajante e inexplicável".Segundo a reportagem, Daeubler-Gmelin contactou posteriormente o jornal e insistiu em que ela não comparou Bush com Hitler, mas o método dos dois, e que considerava privada a discussão que teve em Stuttgart.Enquanto isso, o ex-ministro da Defesa de Schroeder, Rudolf Scharping, foi acusado de ter feito declarações sobre uma suposta influência dos judeus americanos nas políticas de Bush em relação ao Iraque. O colunista do New York Times William Safire escreveu na edição de hoje do jornal que Scharping disse num encontro de jovens profissionais da Alemanha e dos EUA em Hamburgo no mês passado que Bush queria derrubar Saddam para agradar "um poderoso - talvez excessivamente poderoso - lobby judeu".Um porta-voz de Scharping, Thorben Albrecht, disse que o ex-ministro nunca fez a declaração. A organizadora do evento, Beate Lindemann, afirmou ter anotado quando Scharping falou sobre a política alemã para o Iraque durante a sessão de perguntas."Ele disse que podia entender que os judeus americanos são especialmente sensíveis ao perigo que Saddam representa para Israel, e que eles queriam que essa preocupação fosse refletida na política dos EUA", relatou ela. "Ele não entrou no debate sobre a suposta influência judaica nos Estados Unidos".Scharping foi afastado do cargo no mês passado por irregularidades financeiras, mas continua sendo um destacado integrante do partido de Schroeder.

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