Ministra brasileira se diz otimista em reta final da reunião do clima

Ainda sem documento-base, países tentam avançar para chegar a acordo pós-Kyoto na reunião da ONU, em Cancún.

Eric Brücher Camara, BBC

08 de dezembro de 2010 | 07h39

Ainda sem um documento base para discutir, ministros e chefes de Estado de diversos países concluem nesta quarta-feira os tradicionais discursos de abertura do segmento de alto nível da reunião das Nações Unidas sobre mudança climática, em Cancún, no México.

A falta de um rascunho, no entanto, não é vista como sinal de fracasso. Pelo contrário, para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a estratégia de intervenção de pares de países para encontrar soluções nos temas mais polêmicos vem dando resultados positivos.

"Minha impressão hoje é de que temos boas perspectivas. Precisamos trabalhar mais para saber qual vai ser a forma final dessas perspectivas, mas sinto que todos querem alcançar um compromisso político sobre um segundo período do Protocolo de Kyoto", afirmou Teixeira, acrescentando ter sentido a mesma sensação que teve durante a reunião das Nações Unidas sobre biodiversidade em Nagoya, considerada um sucesso.

Brasil e Grã-Bretanha vêm mantendo reuniões com diversas delegações para tentar resolver o impasse criado pela recusa do Japão - anunciada na semana passada - de assumir novas metas obrigatórias para o segundo período do Protocolo de Kyoto, que começa em 2013.

China x EUA. Outros pares discutem assuntos como o aferimento de metas que venham a ser assumidas pelos países em desenvolvimento - outro tema importante, uma vez que para os países industrializados este é um pré-requisito para a liberação de verbas.

Na terça-feira, a interpretação de uma entrevista dada pelo negociador-chefe chinês à agência de notícias Reuters levou alguns a dizer que "o jogo está virando".

Pela primeira vez, a China teria admitido assumir metas de cortes de emissão de gases do efeito estufa obrigatórias e não voluntárias.

No entanto, o chefe da delegação americana, Todd Stern, não se deixou impressionar.

"Não vejo nada de novo. Isso foi o Acordo de Copenhague. O que vejo é que disseram isso (que estipulariam as próprias metas autônomas) e que acrescentaram uma condição a isso, que os Estados Unidos assinem um acordo legalmente vinculante, o que não faz parte do acordo do ano passado", disse Stern.

Ministra Izabella Teixeira se diz otimista com possibilidade de acordo

'Jogo de cena'. Um experiente negociador afirmou, entretanto, acreditar que as duas partes já teriam chegado a um denominador comum sobre o assunto, mas que só anunciarão isso quando outros temas forem resolvidos.

Entre as outras matérias que ficarão para ministros resolverem estão formas de liberar fundos de emergência de US$ 30 bilhões por ano - prometidos também no Acordo de Copenhague - para os países mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Mesmo que estes assuntos sejam acordados durante a reunião de Cancún, o objetivo final do processo - um acordo obrigatório para cortar as emissões a partir de 2012 - ainda é um sonho distante.

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon admitiu em seu discurso de abertura do segmento de alto nível que "essa é uma maratona, não uma corrida de explosão".

A expectativa é que, caso Cancún produza uma série de acordos gerais, no ano que vem, em Durban, na África do Sul, seja possível avançar rumo a um acordo legal.

Mesmo assim, segundo o negociador-chefe brasileiro, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, isso só aconteceria caso "a substância do documento faça jus".

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