EFE/Kimimasa Mayama
EFE/Kimimasa Mayama

Ministra da Defesa do Japão renuncia após escândalo de ocultação de dados

Tomomi Inada 'assumiu a responsabilidade' após divulgação de relatório indicando que comandantes militares omitiram informações sobre a situação de soldados japoneses em missão de paz da ONU no Sudão do Sul

O Estado de S.Paulo

28 Julho 2017 | 12h41

TÓQUIO - A ministra japonesa da Defesa, Tomomi Inada, uma nacionalista ligada ao primeiro-ministro, Shinzo Abe, anunciou sua renúncia nesta sexta-feira, 28, em meio a um escândalo sobre o manejo indevido de informação militar.

"Decidi renunciar ao cargo de ministra da Defesa", disse Inada à imprensa. "Apresentei minha renúncia ao primeiro-ministro e foi aceita". A ministra disse "assumir sua responsabilidade" após a divulgação de um relatório segundo o qual comandantes militares omitiram informações sobre a situação de soldados japoneses estacionados no Sudão do Sul em missão de paz da ONU.

Os documentos, que revelavam más condições de segurança para os militares japoneses na missão, não foram divulgados, como determinam as normas das forças de autodefesa. 

"As conclusões da investigação interna são muito severas", admitiu Inada, destacando que jamais foi informada sobre a situação ou deu seu aval à ocultação destas informações. Segundo fontes militares, a ministra da Defesa tinha consciência do que ocorria.

A renúncia acontece a menos de uma semana de uma provável mudança do gabinete de Abe, diante da queda da popularidade do premiê, em parte pelo caso Inada.

O escândalo ocupou as manchetes dos jornais japoneses nas últimas semanas, especialmente porque a ministra convocou os eleitores a apoiar o conservador Partido Liberal Democrata (PLD) na renovação da Assembleia "em nome das forças de autodefesa e como ministra da Defesa".

Abe teve que se desculpar pelas palavras "impróprias" de Inada, mas a ministra, uma nacionalista convicta, se recusava a entregar o cargo.

No entanto, as conclusões da investigação sobre a missão no Sudão do Sul e a renúncia de dois comandantes precipitaram a saída de Inada. "Há um sério problema de governança", admitiu Inada, de 58 anos, que estava no cargo a menos de um ano.

Abe entregou o cargo de ministro da Defesa, de forma interina, ao chanceler Fumio Kishida. / AFP

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