Ministra de Piñera enfrentará Bachelet

Direita do Chile tem como opções lançar um só candidato contra a quase imbatível ex-presidente ou ter dois para ampliar luta no Congresso

GUILHERME RUSSO, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2013 | 02h01

Em meio à crise entre os partidos de direita do Chile causada pela renúncia de Pablo Longueira à candidatura para a presidência, a União Democrática Independente (UDI), que compõe a coalizão conservadora com a legenda Renovação Nacional (RN), nomeou ontem a ministra do Trabalho do governo de Sebastián Piñera, Evelyn Matthei, sua candidata para enfrentar Michelle Bachelet nas eleições de 17 de novembro.

A nomeação causou indisposição entre os políticos da RN, cujos parlamentares protestaram contra o que consideraram uma tentativa de "imposição" de uma candidatura única para sua coalizão, a Aliança.

Não ficou claro se a RN, que se reuniria para discutir o quadro político, aceitaria ou não dar respaldo à candidata da UDI.

A renúncia de Longueira provocou uma disputa entre correligionários contra e a favor da candidatura única para os conservadores. Segundo explicaram ao Estado analistas chilenos, diante do favoritismo da ex-presidente socialista Bachelet, o mais importante para a centro-direita é ter representação suficiente para exercer uma oposição consistente nos próximos quatro anos.

Segundo o cientista político e sociólogo Patricio Navias, da Universidade Diego Portales, com a derrota quase certa, a Aliança tem dois objetivos: não ser humilhada por uma votação presidencial avassaladora da centro-esquerda - o que Evelyn, com seu apelo popular e "sensibilidade social", poderia garantir - e conseguir o máximo de assentos no Parlamento, para manter-se dignamente na política do país.

No âmbito da eleição presidencial, afirmou Navias, é melhor para os partidos conservadores ter um único candidato, o que concentraria mais votos para sua coalizão. Antes de renunciar, Longueira apareceu com 25% das intenções dos eleitores chilenos - Bachelet tinha 51% - na última pesquisa.

Para garantir mais assentos no Congresso, porém, segundo Navias, é melhor para a direita ter dois candidatos "que, em suas campanhas, apoiariam mais representantes". Segundo o analista, eles poderiam obter até "em torno de 50%" dos assentos em disputa. "Mas essa configuração tiraria a centro-direita de um eventual segundo turno."

O sociólogo e consultor político Eugenio Tironi concorda que o foco principal da direita estará nas eleições legislativas, mas afirma que, para obter um bom resultado no Parlamento, o melhor para os conservadores é ter apenas um candidato para a presidência que se dedicasse a apoiar os concorrentes ao Congresso.

"Ter dois candidatos à presidência significa que o gabinete (de Piñera) estaria quebrado, que se acabou a coalizão governante. Isso é muito negativo para os candidatos ao Parlamento", disse Tironi, apostando que a direita chilena optaria por apenas um concorrente para o Executivo, como pregou Piñera. "No entanto, a direita vive dias febris. Isso (a decisão por um ou mais candidatos) muda a cada hora", afirmou.

Desmobilização. Sergio Micco, cientista político e ex-deputado pela Concertação - a coalizão de centro-esquerda que governou o Chile desde a saída do ditador Augusto Pinochet, em 1990, até 2010 -, afirmou que "é muito difícil" para os conservadores chilenos optarem por um candidato único para a presidência, em virtude de uma "crise de convivência" entre os políticos dos partidos que compõem a Aliança.

Além das desavenças internas entre os conservadores, Micco apontou a "baixa mobilização" dos eleitores da centro-direita nas primárias, disputadas no dia 30, em relação à coalizão da centro-esquerda, a Nova Maioria. / COM AFP

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