Ministra de Relações Exteriores expõe ´plano de paz de Israel´

A ministra de Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, expôs nesta segunda-feira os princípios de um plano de paz com o povo palestino, segundo a fórmula internacional de "dois Estados nacionais", um israelense e outro palestino.Livni fez estas declarações em entrevista exclusiva à rádio pública israelense diretamente de Washington, onde ela participou de uma audiência com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.A chefe da diplomacia israelense disse que um será o "Estado judeu", que solucionou o histórico problema do povo judeu e de seus refugiados, e o outro o "Estado palestino, no qual se resolverá o problema dos refugiados e deslocados desse povo após a primeira guerra árabe-israelense de 1948-49 e a guerra de 1967".Neste ponto, Livni indicou que a iniciativa de paz do mundo árabe, promovida pela Arábia Saudita, tem "elementos positivos", mas deveria mudar sua formulação no que diz respeito ao retorno desses refugiados aos territórios de antes da guerra de 1948-49.A recomendação de que o problema dos refugiados palestinos se solucione dessa maneira, segundo a resolução 194 (1949) da Assembléia Geral da ONU, "atenta contra a fórmula dos dois Estados", assinalou Livni.Segundo a proposta israelense, os dois Estados "viverão em paz um ao lado do outro, ou seja, os palestinos terão de renunciar ao terrorismo", acrescentou Livni, ao informar que outro princípio é "negociar as fronteiras" futuras entre os dois estados independentes.Os princípios que Livni denominou como "o plano de paz israelense" refletem em geral a vontade do Quarteto de Madri - grupo formado por EUA, União Européia, Rússia e Nações Unidas -, com seu "Mapa de Caminho" sobre obrigações mútuas para que israelenses e palestinos negociem suas fronteiras futuras e possam alcançar a paz.Condições do Quarteto de MadriA ministra israelense disse também que o Executivo israelense exigirá que o novo governo palestino, que será formado pelo o movimento nacionalista Fatah e o islamita Hamas, siga as três condições do Quarteto de Madri, que são reconhecer a legitimidade do Estado judeu, pôr fim à violência e se comprometer a cumprir os acordos assinados com Israel.Esses princípios do Quarteto são também compartilhados pelo presidente palestino Mahmoud Abbas, que se reuniu no domingo, 11, em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, nas vésperas do anúncio do novo governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) entreseu movimento nacionalista e o Hamas.Livni disse que esteve "na semana passada na Europa e todos esperam conhecer a plataforma política do próximo governo palestino". De acordo com ela, a União Européia não estaria enfraquecendo o compromisso assumido com as condições impostas pelo Quarteto. "A Europa é uma parceira do Quarteto", disse Livni."Por enquanto, a União Européia (UE) não mudou de opinião (sobre suas exigências), e espero que não o faça", disse Livni, ao explicar que alguns governos estão dispostos a tratar com a coalizão entre Fatah e Hamas para que ela "leve em conta" as exigências impostas pelo Quarteto para retomar a ajuda financeira e econômica.SíriaLivni negou que o governo dos Estados Unidos pressione seu país para não reatar as negociações de paz com a Síria, interrompidas desde 1999, um oferecimento reiterado pelo presidente Bashar Asad nos últimos meses."Compartilhamos interesses e valores com os Estados Unidos, mas Washington não impedem Israel de negociar com a Síria", disse."Hoje no mundo as divisões são muito claras: de um lado estão os moderados e pragmáticos em Israel, na Autoridade Nacional Palestina (ANP), no Líbano e no mundo árabe, e os extremistas estão do outro lado, e a Síria faz parte deste último lado, junto com o Irã", concluiu.Este texto foi alterado às 8h57 para acréscimo de informações

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