Ministra diz que Itália esteve à beira do colapso financeiro

Ao 'Estado', Elsa Fornero afirma que o país, liderado por Berlusconi, esteve perto de uma crise pior do que a da Grécia

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2012 | 02h02

Com Silvio Berlusconi, a Itália esteve à beira de um colapso financeiro que, se tivesse se concretizado, teria significado um golpe para o euro e um impacto global de proporções muito maiores do que a crise grega. A avaliação feita ao Estado é de Elsa Fornero, uma das principais ministras do governo de Mario Monti, que comoveu a Europa quando, ao anunciar os cortes nas aposentadorias na Itália e a prolongação dos anos de trabalho, não se conteve e chorou.

A ministra de Assuntos Sociais e do Trabalho concedeu a entrevista às vésperas da confirmação de que Berlusconi seria candidato nas próximas eleições. No entanto, alertou que o ex-primeiro-ministro havia deixado o país "à beira de uma crise muito difícil".

No fim de semana, Berlusconi anunciou que deverá participar das eleições em 2013. Monti, por sua vez, afirmou que apresentará sua renúncia após a aprovação do orçamento do próximo ano, obrigando a convocação de eleições antecipadas. Na prática, a jogada de Monti reduz o tempo de campanha disponível para Berlusconi, na esperança de impedir que o ex-primeiro-ministro consiga convencer a opinião pública de que ele é a solução.

Se a manobra pode ser positiva para impedir uma vitória de Berlusconi, o grande teste ocorre hoje, quando os mercados reabrem. O temor é o de que a credibilidade construída por Monti sofra uma séria erosão diante das promessas de Berlusconi de reverter as reformas e os planos de austeridade.

"Vamos ver o que os mercados farão", alertou Giorgio Napolitano, presidente italiano. Analistas confirmaram o risco de uma turbulência hoje, enquanto o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, apelou aos partidos italianos para que continuem as reformas.

Ao Estado, a ministra foi taxativa: "O governo (Berlusconi) estava bloqueado e não podia agir", declarou. Segundo ela, "um colapso financeiro italiano não seria como o grego". "Seria, sim, muito pior para a Europa e para o mundo", disse.

Elsa, professora da Universidade de Turim, explicou que assumiu o cargo com a missão de implementar reformas no mercado de trabalho e nas aposentadorias. Admitiu, porém, que a opção pela austeridade, criticada hoje por estar ampliar a recessão, não foi uma escolha.

"Tínhamos de convencer o mundo de que estávamos fazendo as reformas. A economia italiana não vai bem há 15 anos. Portanto, acho que era uma necessidade para nosso país, para evitar um problema anda maior", disse. "Goste ou não, quando você está endividado e as pessoas não confiam mais que você pagará suas dividas, então, só resta lidar com o problema e restaurar a credibilidade. Não pudemos fazer outra coisa."

Hoje, pouco mais de um ano depois, a ministra confessa que as lágrimas ao anunciar os cortes na aposentaria tinham um motivo. "Eu estava pensando nos meus país".

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