Ministra e deputada agridem-se na Itália

Um ministra italiana e uma deputada que é neta de Mussolini, o "Duce", trocaram insultos e bofetadas diante das câmeras de televisão durante a gravação de um programa em que debatiam a insólita sentença dada pela Justiça do país, segundo a qual não constitui delito dar palmada no traseiro de uma mulher. A briga, que será transmitida "integralmente" na quinta-feira, provocou uma polêmica política, a ponto de o presidente da Câmara dos Deputados, Luciano Violante, solicitar ao primeiro-ministro, Giuliano Amato, que lembre à sua ministra "o respeito aos seus deveres institucionais". As protagonistas da contenda haviam sido convidadas pelo programa "Porta a porta" para comentar a recente e insólita sentença da Corte Suprema italiana, segundo a qual não é delito o fato de um chefe dar palmadas no traseiro de uma funcionária. Além de Alessandra Mussolini, deputada da direitista Aliança Nacional, e Katia Bellillo, ministra para a Igualdade de Oportunidades no atual governo de centro-esquerda, outros três conhecidos polemistas do mundo da política e do espetáculo participavam dos debates. A discussão foi subindo pouco a pouco de tom, e a tensão começou a fazer-se sentir diante das câmeras da TV até que Bellillo pediu à neta de Mussolini para "calar a boca" porque, com este sobrenome, não tinha "direito de falar". Foi então que a batalhadora deputada direitista começou a boicotar o discurso da ministra, que cada vez que tomava a palavra tinha como pano de fundo Alessandra sussurrando: "Comunista, comunista, cale-se você, que é uma comunista". Sem maiores hesitações, Bellillo - que pratica boxe em um ginásio em seus momentos livres - se levantou da cadeira e aproximou-se de Mussolini, atirando contra ela o microfone. A reação não se fez esperar e Mussolini esbofeteou a ministra, enquanto os demais presentes tentavam separá-las e o apresentador do programa, Bruno Vespa, tentava restabelecer a calma.

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