Ministra é suspeita de contrabando de armas

Esta tem sido uma semana turbulenta na ala feminina do gabinete do presidente Néstor Kirchner. A ministra da Economia, Felisa Miceli, renunciou por causa de um escândalo, o "banheirogate", e a secretária de Meio Ambiente, Romina Picolotti, foi acusada de nepotismo. Agora, chegou a vez da ministra da Defesa, Nilda Garré, que na quarta-feira à noite foi indiciada por "contrabando com agravante". A Justiça argentina suspeita de irregularidades nas exportações de material bélico da estatal Fabricaciones Militares e acredita que Nilda possa estar envolvida no caso. A denúncia é outra pedra no sapato na campanha presidencial da primeira-dama Cristina Kirchner, lançada ontem. O escândalo veio à tona em fevereiro, quando a aduana argentina deteve o embarque de 6,7 toneladas de peças de fuzis Fal que estavam sendo enviadas para um cidadão argentino nos EUA por apenas US$ 2.600 - o que levantou suspeitas de subfaturamento. Para defender-se, Nilda fez uma declaração polêmica, afirmando que, apesar de ser ministra da Defesa, não sabia o que era um fuzil Fal - o mais utilizado pelas Forças Armadas argentinas. "Nem sei o que é isso", disse ela. Irritada, Nilda afirmou ontem que ainda não está sendo "indiciada", mas apenas "convocada para prestar esclarecimentos". Segundo a ministra, as acusações fazem parte de uma campanha para desestabilizar o governo poucos meses antes das eleições presidenciais. EMBARGO A situação de Felisa - a ex-ministra da Economia - ficou mais complicada na quarta-feira, quando a Justiça declarou um embargo de US$ 64 mil sobre seus bens. O "banheirogate" teve início com a descoberta, no banheiro do escritório da ministra, de uma sacola com milhares de dólares de origem misteriosa. Segundo jornais, eram US$ 241 mil. A ministra fala em US$ 64 mil - a quantia que acabou embargada.

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