Ministra negra responde a insultos na Itália

Cecile Kyenge, nomeada pelo premiê Enrico Letta para chefiar o Ministério da Integração, tem sido alvo de ataques de políticos e sites de direita

ROMA, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2013 | 02h02

A primeira ministra negra da Itália respondeu ontem a insultos racistas dizendo ter "orgulho de ser negra". Cecile Kyenge, oftalmologista e cidadã italiana nascida na República Democrática do Congo, foi nomeada ministra da Integração pelo premiê Enrico Letta no sábado - ela é uma das sete mulheres no gabinete.

Desde então, ela tem sido insultada em sites de extrema direita, que a chamam de "macaco congolês" e "negra anti-italiana".

Cecile também enfrentou insultos de Mario Borghezio, deputado da Liga Norte no Parlamento Europeu, que chamou a coalizão de Letta de um "governo bonga-bonga", um trocadilho com o termo "bunga-bunga", atribuído às festas do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Borghezio disse ainda que ela parecia ser "uma boa dona de casa, mas não ministra". A presidente da Câmara dos Deputados, Laura Boldrini, qualificou os comentários como "vulgaridades racistas".

Cecile afirmou que pretende propor uma lei - à qual a Liga Norte se opõe - que permitiria às crianças nascidas na Itália, filhas de imigrantes, obterem a cidadania automática, em vez de terem de esperar até os 18 anos.

"Cheguei sozinha à Itália aos 18 anos e não desisto diante de obstáculos", disse Cecile. Ela também rejeitou o termo "de cor", usado para descrevê-la em muitas matérias na imprensa italiana. "Eu não sou colorida. Sou negra. E digo isso com orgulho." / REUTERS

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