Ministra se demite por uso político da gripe

O governo argentino teve duas bombas para desarmar ontem: além da derrota eleitoral, o pedido de demissão da ministra da Saúde, Graciela Ocaña, que foi criticada por não ter conseguido controlar as epidemias de dengue (alguns meses atrás) e da gripe suína. Semanas atrás já se especulava sobre a renúncia de Graciela, mas a decisão foi adiada para não afetar as eleições parlamentares do domingo.Amanhã, assumirá o Ministério da Saúde o médico e vice-governador de Tucumán, José Luís Manzur. Ele terá à disposição do governo uma verba adicional de 700 mil pesos (R$ 357 mil) para os próximos 60 dias e um estoque de 2 milhões de doses de medicamentos contra a gripe suína, informou o chefe de gabinete de ministros, Sérgio Massa, após uma reunião do Comitê de Crise. O governo argentino anunciou, na noite de ontem, a antecipação das férias escolares, em uma a duas semanas, como meio de evitar o contágio da gripe H1N1 (suína). As aulas poderão ser interrompidas a partir da próxima segunda-feira pelas províncias. Apesar das 28 mortes e dos quase 1.600 contaminados, a Casa Rosada contornou a imposição da medida nacional de emergência sanitária, que vem sendo reclamada por especialistas desde a semana passada. Pelo menos até o domingo, espetáculos e jogos não serão suspensos.Massa indicou que o governo preferiu deixar para Manzur a decisão final sobre a medida de emergência. Enfatizou que já foram investidos 187,5 milhões de pesos (R$ 96 milhões) na compra de medicamentos. A decisão sobre o início antecipado das férias escolares estará a cargo das províncias.Por causa da indefinição da Casa Rosada, as províncias já se haviam antecipado. A de Buenos Aires baixou um decreto de emergência regional no final da tarde. As províncias de Santa Fé, de São Luís e de Santiago del Estero suspenderam as aulas por um período de uma a duas semanas.

Denise Chrispim Marin e Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

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