Leo La Valle/Efe-28/3/2011
Leo La Valle/Efe-28/3/2011

Ministra se explicará a juiz por caso ''Clarín''

Justiça argentina quer saber por que Casa Rosada não tentou evitar cerco a jornais

Marina Guimarães, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2011 | 00h00

BUENOS AIRES - A ministra argentina de Segurança, Nilda Garré, vai ter de explicar na Justiça os motivos pelos quais não tentou evitar o piquete de caminhoneiros que impediu a circulação da edição dominical dos jornais "Clarín" e "Olé" e provocou atrasos na distribuição do "La Nación".

O juiz civil Gastón Matías Polo Oliveira intimou a ministra para justificar o não cumprimento da determinação legal que garante a circulação dos jornais. A intimação, assinada na segunda-feira, estabelece um prazo de três dias, a vencer hoje, para que Nilda Garré preste os esclarecimentos.

Ontem, em entrevista a várias rádios de Buenos Aires, a ministra criticou o bloqueio. Mas ela reforçou a estratégia do governo da presidente Cristina Kirchner de desvincular-se do caso, atribuindo o bloqueio a um problema sindical com as empresas. "Se há alguém que aproveita o conflito sindical para outra coisa, a verdade é que repudio essa possibilidade", afirmou.

"Liberdade garantida". Nilda opinou que a liberdade de imprensa não foi afetada pelo episódio e negou ter sido omissa, como acusou o Clarín. "Eu não permiti nenhum bloqueio", disse, acrescentando que "a liberdade de expressão no país está totalmente garantida".

O editor-geral do Clarín, Ricardo Roa, disse ao Estado que "não existe nenhum conflito trabalhista ou pendência com sindicatos em nenhuma das empresas do Clarín".

Independentemente das causas que levaram ao bloqueio, o Grupo Clarín obteve, em 21 de janeiro, uma medida cautelar para garantir as providências necessárias que impedissem qualquer tipo de bloqueio à empresa, que publica os jornais Clarín e Olé.

O Clarín recorreu à Justiça após ter sofrido quatro bloqueios anteriores, sendo que um deles durou seis noites. Todos provocaram atrasos na distribuição dos jornais e impediram a circulação parcial de exemplares. O La Nación também foi alvo de bloqueios.

A forte repercussão do caso levou à convocação do Conselho de Segurança Interior. Integrado pelo Ministério de Segurança, secretários da área de cada província e representantes das forças se segurança federais e dos distritos, o conselho realizou, ontem, sua primeira reunião para discutir o caso.

Falta de segurança. Pesquisas de diferentes consultorias da Argentina apontam para uma ampla rejeição aos bloqueios e mostram que a insegurança é a principal preocupação da população local.

De acordo com a agência oficial de notícias, Télam, durante a reunião, Nilda Garré reconheceu, pela primeira vez, que "se registrou um aumento do delito e dos níveis de violência no país".

Segundo a ministra, "não somente houve um crescimento da delinquência comum, mas também subiu a criminalidade protagonizada por organizações criminosas".

REAÇÕES

SIP

A Sociedade Interamericana de Imprensa classificou como "um atentado grave à liberdade de imprensa" o bloqueio da distribuição de jornais na Argentina. O presidente da entidade, Gonzalo Marroquín, disse ter ficado "perplexo"

Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina

A Adepa considerou que "os pilares republicanos foram abalados" na Argentina. Para a Cooperativa de Provisão de Imprensa Argentina, "tal atitude condenável evidencia a falta de garantias constitucionais" aos jornalistas

Repórteres sem fronteiras Em nota, a entidade internacional "expressa sua completa desaprovação pelo bloqueio que impediu a distribuição de três jornais: "Clarín", "Olé" e "La Nación"". "Dificultar a distribuição de um jornal constitui um ataque à liberdade de publicação, que é um componente da liberdade de expressão"

ANJ

A Associação Nacional de Jornais emitiu uma nota em que classificou a ação como "intolerante e antidemocrática" e acusou o governo de ser cúmplice dos sindicalistas

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.