Ministro bate-boca com opositores

Chanceler teve de rebater acusações duras de [br]Virgílio e Jereissati, que o acusou de 'neopetismo'

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

As quatro horas de audiência do chanceler Celso Amorim na Comissão de Relações Exteriores do Senado, ontem, foram marcadas por bate-bocas sobre a condução da política externa.

Amorim ouviu do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) um protesto contra o retrato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Fidel Castro, ambos sorridentes, tirado momentos após o dissidente cubano Orlando Zapata morrer em greve de fome. O ministro descontou quando Virgílio condenou os laços de Lula com ditadores. "Não conheço um presidente que não tenha apertado a mão de um ditador", disse o chanceler.

Mas o momento mais tenso veio com um embate entre o chanceler e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que criticou a ambição por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e a posição na Rodada Doha da OMC. "Que vão continuar a ser prioridade no próximo governo, seja ele da candidata do meu partido (Dilma Rousseff) ou do ex-governador de São Paulo (José Serra)", rebateu Amorim.

"Se fosse no governo anterior, seu candidato seria o Serra", revidou Jereissati, referindo-se à suposta escolha feita pelo então candidato tucano à Presidência, em 2002, de ter Amorim como seu chanceler.

"O senhor quer saber em quem votei?", revidou o ministro."O senhor começou colorido. O (presidente Fernando) Collor foi o primeiro a lhe dar um cargo importante", afirmou o senador.

"Sou diplomata de carreira, me orgulho de ter sido ministro do presidente Itamar Franco (1992-1995) e tenho grande estima pelo Serra. Se essa notícia saiu nos jornais, não sei. Ele nunca me disse nada disso", respondeu. "Seu "neopetismo" é comovente", alfinetou Jereissati.

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