REUTERS/Toby Melville
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Ministro britânico afirma que prazo do Brexit não será estendido

Responsável pelas negociações com a UE garante que país deixará bloco econômico em 29 de março, apesar de a Irlanda defender prolongamento do prazo; ministro alemão diz que não é hora de pensar em um prolongamento do processo

Redação, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2019 | 11h05

BRUXELAS - O governo britânico descartou nesta terça-feira, 8, a possibilidade de adiar a saída da União Europeia (UE), processo conhecido como Brexit. Desde 2016, quando o assunto foi decidido em referendo popular, o Reino Unido negocia como será o rompimento das relações comerciais e políticas com o bloco econômico, com prazo máximo para até 29 de março de 2019.

“O Artigo 50 (que regula como os países-membros da União Europeia podem abandonar o bloco) não será estendido. Nós sairemos da UE em 29 de março deste ano porque é o que o Artigo 50 diz, é o que o Parlamento (britânico) votou e também é o que a legislação nacional diz”, afirmou em Bruxelas o ministro britânico responsável pelo Brexit, Martin Callanan.

O Reino Unido pode requerer uma extensão do prazo do Brexit, mas todos os 27 membros da UE devem concordar e, no mês passado, os líderes europeus disseram que precisariam de bons motivos para prolongar o rompimento. Autoridades disseram que um segundo referendo seria uma boa razão, algo descartado pelo governo britânico.

Nesta terça, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, afirmou que agora não é a hora de discutir um atraso ao prazo.  “Eu não quero pensar aqui e agora na possibilidade de estender o Artigo 50. Eu não acho que esse deve ser o nosso foco hoje”, disse durante visita a Dublin junto com o chanceler irlandês, Simon Coveney.

Segundo Mass, um Brexit sem acordo “pode ter um efeito negativo nas vagas de emprego da Alemanha" e isso é algo que Berlim tentará evitar a todo custo. Já Coveney afirmou que os irlandeses não seriam contra esse prolongamento do Brexit caso o assunto vá para votação na União Europeia.

“Se é o caso de o governo britânico procurar uma extensão do artigo 50, então isso é algo que devemos levar em consideração na UE”, afirmou. “Mas certamente, do ponto de vista irlandês, se algo assim acontecer, nós não ficaremos no caminho.”

Desde que começaram as negociações do Brexit, um dos pontos controversos é a criação do “backstop” entre Irlanda e Irlanda do Norte, um dispositivo de segurança para garantir a circulação de pessoas e o comércio de bens na fronteira entre os dois territórios sem a restauração de uma barreira física - o que violaria o acordo de paz de 1998.

Votação no Parlamento

Até o momento, a primeira-ministra britânica, Theresa May, tem enfrentado obstáculos para aprovar o acordo que seu governo costurou com os líderes da União Europeia em Bruxelas. Em dezembro, com receio de enfrentar uma derrota pelos parlamentares, May adiou a votação do Brexit, marcada para o dia 15.

A ministra da França para Assuntos Europeus  encorajou nesta terça os parlamentares britânicos a votarem o acordo feito por May e pela UE. “Nós realmente precisamos da ratificação do acordo. É a melhor solução para os dois envolvidos”, disse Nathalie aos repórteres. Mas, segundo ela, não há mais que os franceses possam fazer para ajudar.

Desde 2016, quando foi eleita após o referendo do Brexit, May negocia soluções para amenizar as implicações que a separação pode causar no continente e no Reino Unido.

Se seu acordo for rejeitado e o prazo de saída não for adiado, o divórcio brusco (“hard Brexit”, como é conhecido em inglês) pode, dentre outras consequências, causar escassez de comida e de produtos farmacêuticos devido às tarifas alfandegárias nas exportações britânicas. / AP e REUTERS

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