Ministro britânico se desculpa por escândalo de militares

O ministro da Defesa do Reino Unido, Des Browne, pediu desculpas nesta segunda-feira, 16, durante entrevista na Câmara dos Comuns, pela venda à imprensa de depoimentos de alguns dos 15 militares detidos pelo Irã em março.Browne, que compareceu ao Parlamento devido à ameaça da oposição conservadora de pedir sua demissão, disse que lamenta "profundamente" o dano que este acontecimento possa ter causado à reputação das Forças Armadas do Reino Unido.No entanto, o ministro disse que irá aprofundar as investigações sobre o caso, para descobrir os responsáveis sobre acontecimento. Além disso, Browne afirmou que pretende continuar a procurar as verdadeiras informações sobre o que aconteceu no Irã, durante a prisão dos militares."Eu estou comprometido a garantir ao Parlamento e à população informações completas", disse Browne. "Mas é importante garantir que o Ministério da Defesa e outros serviços aprendam com estes acontecimentos e não deixem isto acontecer novamente", acrescentou.O ministro assumiu a responsabilidade pelo escândalo e disse que a investigação sobre a relação dos militares com os veículos de comunicação não será "uma caça às bruxas".Browne anunciou ainda uma investigação sobre as circunstâncias da detenção dos soldados, no dia 23 de março, que deve durar seis semanas e cobrirá "todos os aspectos operacionais" do episódio.Após o discurso, o porta-voz de Defesa do Partido Conservador, Liam Fox, afirmou que a posição do ministro está se tornando "insustentável, porque não inspira a confiança necessária em sua capacidade de decisão".Antes, o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, disse por meio de seu porta-voz que tem "confiança total" em Browne.Fayed Turner - a única mulher do grupo de reféns - e o militar Arthur Batchelor revelaram há pouco mais de uma semana em entrevista exclusiva detalhes da captura, pelos quais receberam altas somas de dinheiro, segundo a mídia britânica.A oposição e familiares de soldados mortos em combate criticaram o governo por autorizar que os militares concedessem entrevistas em troca de dinheiro e por entender que a decisão desprestigiava as Forças Armadas do país.O Reino Unido assegura que os soldados foram detidos em águas iraquianas do Golfo Pérsico, enquanto o regime iraniano sustenta que os britânicos invadiram suas águas jurisdicionais.Os militares voltaram ao Reino Unido no último dia 5, após o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ter anunciado de surpresa na véspera a libertação dos soldados como "presente ao povo britânico".

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