Ministro confirma carta com antraz na Argentina

O ministro da Saúde, Héctor Lombardo, confirmou que a Argentina recebeu um envelope com antraz. Desta forma, a Argentina transforma-se no primeiro país na América Latina a receber correspondência com essa bactéria. Lombardo pediu tranqüilidade à população, e sustentou que em todo o território do país não existia nenhuma pessoa com a doença. A confirmação da existência do bacilo ocorreu depois de uma misteriosa e confusa demora por causa de uma ordem do juiz federal Rodolfo Canicoba Corral, que o impediu por mais de três horas de fazer o anúncio oficial. Lombardo fez o anúncio acompanhado por representantes das Forças Armadas e dos serviços de inteligência, além dos técnicos que analisaram o conteúdo do envelope. O envelope suspeito foi recebido por uma família do bairro de Parque Patrícios, em Buenos Aires, e era proveniente de Miami, EUA. Os destinatários não abriram o envelope por desconfiar do remetente, que não era conhecido deles. Dentro do envelope, além de um folheto sobre cruzeiros no Caribe, havia um misterioso pó branco, que ontem foi analisado pelo Instituto Malbrán. Os médicos do instituto afirmaram que a família que recebeu a carta não foi contaminada pelo antraz. Segundo a polícia portenha, a empresa que organiza o cruzeiro enviou três milhões de cartas para a Argentina. Nas últimas duas semanas foram recebidos mais de 600 envelopes na Argentina suspeitos de terem pó com antraz. No entanto, em todos os casos o resultado do exame foi negativo. Lombardo disse que instalariam no Correio argentino uma câmara com ozônio para esterilizar as cartas que fossem de procedência ?suspeita? ou ?estranha?. O temor dos bacilos da doença também tomou conta da Câmara de Deputados, depois que o deputado do Partido Justicialista (Peronista) Carlos Soria recebeu um estranho envelope enviado de Massachussets, EUA. Na Biblioteca Municipal da cidade de La Plata, uma funcionária pública foi internada depois de ter aberto um envelope com a conta telefônica. Ao abri-lo, um pó branco espalhou-se no ar, causando-lhe forte irritação nos olhos. Posteriormente comprovou-se que o pó estava misturado com elementos de gás lacrimogêneo. Os envelopes brancos também apareceram em um avião da empresa Arg, que fazia a rota Mendoza-Buenos Aires. O envelope foi recolhido pela polícia aeronáutica do aeroporto metropolitano de Buenos Aires para ser analisado. Na Casa Rosada, a sede do governo presidencial, a segurança foi reforçada na área de correspondência por temor ao recebimento uma carta com antraz. Toda a correspondência será retida em uma mesa, até que cada destinatário seja convocado para verificar se reconhece a procedência da carta. Caso o remetente não seja conhecido, o corpo de bombeiros vai retirar a carta para exames. Buenos Aires agitou-se nesta sexta-feira com a revelação de um telefonema recebido há um ano pela embaixada argentina na Arábia Saudita, no qual o grupo terrorista Al-Qaeda assumia ?a explosão na Argentina? (supostamente o atentado realizado contra a embaixada de Israel em Buenos Aires ou a associação beneficente judaica AMIA), além de indicar que ocorreria um ataque contra os EUA ainda em setembro do ano passado. Mais de um ano depois de ocorrida, a revelação do telefonema foi feita pelo ex?encarregado de negócios argentino na Arábia Saudita, Juan José Etchegoyen, que na época informou a Chancelaria, que por sua vez, informou a Side, o serviço secreto. No entanto, a Side sustenta que somente foi informada há 15 dias e não há um ano, como afirma a Chancelaria. A revelação do telefonema dividiu a comunidade judaica argentina. O grupo Memória Ativa, de parentes das vítimas da AMIA, considera que a história ?está mal contada?. Para representantes da Delegação de Associações Israelenses na Argentina (DAIA), a nova pista, apontando para Bin Laden, poderá ser correta. Leia o especial

Agencia Estado,

19 Outubro 2001 | 22h43

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.