Ministro cubano afirma que ´chanceler´ das Farc está na ilha

Especulações são de que Granda viajou a serviço do governo colombiano

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 13h08

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Felipe Pérez Roque, afirmou hoje que Rodrigo Granda, o "chanceler das Farc", se encontra no país em missão do governo de seu país e das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.Pérez Roque confirmou que Granda se encontra na ilha, após Havana atender "à solicitação feita não apenas pelo governo colombiano, mas também pelas Farc e pelo próprio senhor Granda"."Se encontra em Cuba e acreditamos que esta decisão é coerente com a posição histórica de Cuba, de tratar de contribuir com a base do respeito e da soberania colombiana a uma solução negociada para seu conflito interno" disse o diplomata em uma coletiva de imprensa.Granda partiu de Bogotá na segunda-feira passada, mas as autoridades cubanas não haviam confirmado a chegada do guerrilheiro, libertado no dia 4 de junho pelo presidente colombiano, Alvaro Uribe, a pedido de seu colega francês, Nicolas Sarkozy, como um gesto unilateral para tentar libertar os 56 reféns em poder dos guerrilheiros.Horas antes de partir a Havana, o guerrilheiro declarou que sua viagem se devia a motivos pessoais, descartando que sua presença em Cuba se relaciona ao "gesto de paz" de Uribe. Caminhada pela liberdadeEnquanto isso, com as mãos algemadas e vestindo uma camiseta branca com a foto de seu filho seqüestrado a mais de nove anos pelas Farc, Gustavo Moncayo completou o primeiro dia de sua extensa caminhada de protesto nesta quarta-feira.Moncayo, um professor de 55 anos sem dinheiro nos bolsos, planeja atravessar 884 quilômetros para pressionar por um acordo entre a guerrilha e o governo que permita libertar o grupo de reféns que inclui seu filho. Seu filho Pablo Emílio foi capturado no dia 21 de dezembro de 1997 pelas Farc em um ataque a uma estação de comunicação vigiada por militares.Militar, foi seqüestrado junto a outros 17 soldados, mas foi um dos únicos dois que ficaram retidos e permanecem privados da liberdade."Pablo Emilio, desde a liberdade estamos com você, sua família te ama, sim ao acordo humanitário", diz a camiseta com a fotografia do filho de Moncayo.As Farc exigem que o governo retire o exército e a polícia dos povos unificados de uma região montanhosa do sudoeste do país, para que delegados das partes possam se reunir e negociar um acordo.Mas Uribe, que conta com o apoio dos EUA e lidera uma campanha militar contra a guerrilha, se nega a tomar uma postura mais violenta alegando que as Farc buscam recuperar seus integrantes capturados e uma troca humanitária funcionaria."Estou disposto a dar minha vida para seguir lutando, disposto a continuar meu trabalho em busca da liberdade de todos eles (reféns) para que saiam sãos e salvos", afirma Moncayo.

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