Ministro da Defesa colombiano sonha com cargo de Uribe

Intransigente, Juan Manuel Santos é um dos maiores desafetos do presidente venezuelano, Hugo Chávez

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, que está de visita ao Brasil, não esconde suas ambições de se tornar presidente. Mas nos dois meses e meio que lhe restam no governo, antes que tenha de renunciar para se dedicar à candidatura, ainda há tempo de sobra para medidas e discursos que prometem ser o centro de grandes polêmicas. Com um estilo intransigente, Santos é um dos maiores desafetos do presidente venezuelano, Hugo Chávez, que já se referiu a ele como um "personagem sinistro", de "infinita arrogância". Foi uma declaração sua que, há pouco mais de uma semana, voltou a balançar as relações com Equador e Venezuela. No aniversário de um ano do ataque colombiano ao acampamento do guerrilheiro Raúl Reyes, no Equador, o ministro disse que a Colômbia tem o direito de atacar rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias (Farc) nos países vizinhos, mostrando que, ao menos no quesito diplomacia, não está muito longe de Chávez. A declaração despertou a ira do venezuelano e do presidente equatoriano, Rafael Correa. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, mais uma vez teve de pôr panos quentes nas disputas regionais após advertir "autoridades de seu governo" de que deveriam ter cuidado "com declarações que comprometessem as relações internacionais". "A relação de Uribe e Santos é como um matrimônio de conveniência", disse ao Estado o analista político colombiano Gustavo Duncan. "Há um certo grau de disputa entre eles, mas Uribe percebe que Santos é popular entre as elites de Bogotá e setores da linha dura militar, além de reconhecer os resultados de seu trabalho na repressão da guerrilha", completou. Ele lembrou que Uribe nunca rejeitou diretamente um terceiro mandato.Primo do vice-presidente, Francisco Santos, o ministro da Defesa pertence a uma família influente de Bogotá, por muito tempo proprietária do El Tiempo, o principal jornal da Colômbia. Segundo Duncan, o fato de ele ser duro com Chávez é bem visto por uma parcela da população. O que não quer dizer que o alvo de suas críticas esteja sempre fora da Colômbia.Em fevereiro, a descoberta de um esquema de escutas ilegais na agência de inteligência colombiana revelou que o telefone de Santos havia sido grampeado. As suspeitas imediatamente recaíram sobre o palácio presidencial. Irritado, Santos declarou que a agência era um "doente em estado terminal" à qual se deveria dar "sepultura cristã". À Uribe pediu, publicamente, que a substituísse por uma entidade civil. Em meio ao escândalo, o presidente apressou-se em atribuir os esquemas de escutas a "grupos mafiosos". O pedido de Santos foi diplomaticamente ignorado.

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