Ministro da Defesa da Coreia do Sul renuncia

Kim Tae-young foi criticado por resposta militar insuficiente a ataque norte-coreano.

BBC Brasil, BBC

25 de novembro de 2010 | 12h09

Kim Ta-young foi muito criticado pela reação ao ataque norte-coreano

O ministro da Defesa da Coreia do Sul, Kim Tae-young, renunciou ao cargo dois dias depois do ataque das forças norte-coreanas contra uma ilha sul-coreana.

A renúncia do ministro já teria sido aceita pelo presidente Lee Myung-bak.

O ministro tinha sido duramente criticado por legisladores sul-coreanos, que consideraram a resposta militar ao ataque insuficiente.

As forças sul-coreanas responderam ao ataque de artilharia norte-coreano contra a ilha de Yeonpyeng com dezenas de disparos em direção ao território do vizinho do norte.

Vários deputados em Seul argumentaram que suas forças deveriam ter respondido com ataques aéreos contra a artilharia norte-coreana.

Tae-young se defendeu dizendo que ataques aéreos poderiam ter desencadeado uma guerra entre as duas Coreias.

De acordo com o correspondente da BBC em Seul Chris Hogg, desde o fim da Guerra da Coreia, há 60 anos, as regras militares da Coreia do Sul para responder a ataques previam uma reação "proporcional, suficiente e condizente".

Segundo o correspondente, isto significa que, no caso de ser alvo de um disparo, a Coreia do Sul deveria reagir com munição semelhante.

Novas regras

Mas a Coreia do Sul anunciou nesta quinta-feira que vai reforçar a segurança na fronteira e criar novas regras militares para lidar com ameaças da Coreia do Norte.

Segundo um porta-voz presidencial sul-coreano, as respostas do país ao vizinho do norte haviam se tornado "passivas demais".

O disparo de dezenas de tiros de artilharia contra a ilha sul-coreana provocou a morte de dois soldados e dois civis e gerou uma elevação da tensão na região.

A Coreia do Norte ameaçou promover novas ações militares se a Coreia do Sul mantiver o que chamou de "caminho de provocações militares", segundo a agência oficial de notícias norte-coreana, KCNA.

O governo norte-coreano também acusou os Estados Unidos pelo aumento do nível de hostilidades entre os países, dizendo que o governo americano ajudou a desenhar "a fronteira marítima ilegal" entre os dois países no lado ocidental.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, participou de reuniões na Rússia sobre o conflito entre as Coreias, em meio às pressões para que a China use sua influência sobre o governo comunista norte-coreano para ajudar a acalmar os ânimos.

Apesar disso, uma visita programada pelo ministro das Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, à Coreia do Sul, foi adiada, por conta de "problemas de agenda", segundo as autoridades chinesas.

Aumento de efetivo

Dezenas de tiros de artilharia atingiram a ilha sul-coreana de Yeonpyeong

Após uma reunião de gabinete de emergência nesta quinta-feira, a Coreia do Sul anunciou um aumento significativo do efetivo militar na fronteira e a mudança na maneira como responderá às ações norte-coreanas.

"(O governo) decidiu aumentar acentuadamente a força militar, incluindo tropas terrestres, nas cinco ilhas do Mar Amarelo e alocar mais de seu orçamento para lidar com as ameaças assimétricas da Coreia do Norte", afirmou o porta-voz da Presidência, Hong Sang-pyo.

"O governo decidiu criar novas regras militares de procedimento para mudar o próprio paradigma de respostas às provocações norte-coreanas", afirmou Hong.

No futuro, a Coreia do Sul implementará diferentes níveis de resposta, que levarão em conta se os norte-coreanos atacaram alvos militares ou civis, segundo o porta-voz.

Pressão sobre a China

Em um comunicado do governo chinês sobre a questão, o premiê Wen Jiabao descreveu a situação na península coreana como "séria e complicada".

"A China está firmemente comprometida com a manutenção da paz e da estabilidade na península coreana e se opõe a qualquer ato militar provocativo", disse ele.

"Os lados relevantes deveriam manter o mais alto comedimento, e a comunidade global deveria fazer mais para a distensão desta situação tensa", afirmou Wen.

A China vem sendo pressionada para usar sua influência sobre a Coreia do Norte para reduzir a tensão na região.

Wen voltou a defender sua posição de que as negociações sobre o programa nuclear norte-coreano, envolvendo seis países (Estados Unidos, Japão, China, Rússia e as duas Coreias), devem ser retomadas o mais rapidamente possível, numa posição apoiada pela Coreia do Norte.

A Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão defendem que as negociações de seis países não deveriam recomeçar até que a Coreia do Norte interrompa a construção de novas usinas de enriquecimento nuclear e se desculpe pelo suposto bombardeamento a um navio sul-coreano em março, que provocou a morte de 46 marinheiros.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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