Ministro da Economia será vice de Cristina Kirchner

Roqueiro nas horas vagas, Amado Boudou, é ex-neoliberal que aderiu às políticas de Kirchner

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

A presidente Cristina Kirchner anunciou sábado à noite que o candidato a vice-presidente que a acompanhará na chapa da Frente pela Vitória - uma sublegenda do Partido Justicialista - será seu atual ministro da Economia, Amado Boudou, um ex-neoliberal que na última década aderiu às políticas de maior presença do Estado argentino na economia pregada pelo governo Kirchner. Boudou, de 48 anos, é roqueiro nas horas vagas, coleciona canetas-tinteiro, motos Harley Davidson e é hábil no Twitter.

Cristina destacou que escolheu um vice que tenha "lealdade" a ela e "não tenha medo das corporações" empresariais. O primeiro turno das eleições será no dia 23 de outubro e Cristina desponta como favorita nas pesquisas.

O anúncio foi realizado na residência presidencial de Olivos, perante uma centena de ministros, deputados, senadores, governadores, sindicalistas, atores e cantores. As organizações de defesa dos direitos humanos também estiveram presentes.

A definição do vice era crucial para um eventual segundo governo da presidente Cristina, já que a pessoa que ocuparia esse posto automaticamente é a presidente do Senado. Cristina teve uma experiência traumática com seu atual vice, Julio Cobos, que em 2008, crítico do "impostaço agrário" do governo Kirchner, derrubou o projeto de lei do governo com seu voto de Minerva no Senado. Desde então, Cristina não fala mais com Cobos, que passou a ser encarado como "traidor".

Segundo integrantes do governo, a presidente Cristina, com a escolha de Boudou, está "abrindo espaço às novas gerações de peronistas". Tudo indica que além de ser o presidente do Senado - em caso de vitória nas eleições de outubro - o vice de Cristina também seria seu virtual candidato à sucessão.

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