EFE/TELAM/Jose Romero
EFE/TELAM/Jose Romero

Ministro da Fazenda da Argentina renuncia a pedido de Macri

Ministério ficará dividido em duas áreas: a da Fazenda, sob o comando de Nicolás Dujovne, e das Finanças, liderado por Luis Caputo

O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2016 | 15h30
Atualizado 26 Dezembro 2016 | 20h48

BUENOS AIRES - O presidente argentino, Mauricio Macri, demitiu nesta segunda-feira, 26, o ministro da Fazenda e Finanças, Alfonso Prat-Gay, considerado uma referência técnica no gabinete. Em um sinal de ruptura, não houve a usual justificativa de saída “em comum acordo” ou “por razões particulares”. O chefe de gabinete de Macri, Marcos Peña, disse que a renúncia foi pedida por “diferenças políticas”.

Peña acrescentou que o ministério, do qual o economista ficou à frente desde o início do governo, em 10 de dezembro de 2015, será dividido em duas áreas: a da Fazenda, sob comando de Nicolás Dujovne, e das Finanças, liderada por Luis Caputo. Não foi divulgado quando eles assumirão os cargos.

Prat-Gay era questionado por não conseguir recuperar os principais indicadores. A inflação deve ficar em torno de 40% em 2016. Apesar dos ajustes para enfrentar um pesado déficit fiscal e atrair investimentos, a economia argentina acumulou no ano uma queda de 2,4%. Para 2017, projeta-se um déficit de 4,2% do PIB.

Durante a gestão de Prat-Gay, a Argentina eliminou a medida adotada no governo peronista de Cristina Kirchner (2007-2015) que limitava a aquisição de dólares. Isso representou uma desvalorização do peso em 32%, o que derrubou fortemente o poder aquisitivo. O ministro bateu de frente com Macri ao discordar do “tarifaço” nas contas de luz, água e gás, seguido de protestos e ações judiciais. 

Outra medida de impacto foi negociar a dívida com os chamados fundos abutres, credores que não tinham aceitado os pactos fechados pelo governo em 2005 e 2010 e exigiam pagamento integral. Após o acordo, a Argentina voltou a ter acesso aos mercados internacionais e deixou para trás a política estatista e de redução de endividamento de Cristina. O país acrescentou quase US$ 50 bilhões a sua dívida pública, fazendo-a saltar de 42% para 53% do PIB, nível que a maioria dos economistas considera manejável.

Macri enfrentará em 2017 uma eleição parlamentar decisiva. Ele perdeu o apoio inicial de opositores moderados, que garantiram suas principais vitórias no Congresso. Dentro da coalizão de centro-direita Cambiemos, Prat-Gay vinha de um partido com tradição social-democrata. Ele teve enfrentamentos com o presidente do Banco Central, Federico Adolfo Sturzenegger. Prat-Gay defendia a redução da taxa de juros de 25% para reativar a economia. Também causou desconforto no governo ao admitir a amigos o interesse em ocupar a função de chanceler, hoje com Susana Malcorra.

Até o anúncio, Dujvone trabalhava como colunista do jornal La Nación e participava do programa semanal Odisea Argentina no canal TN, pertencente ao Grupo Clarín. O empresário Luis Caputo, que ficará encarregado da área de Finanças, é amigo de infância de Macri e um dos principais alvos da oposição, que vê conflito de interesses na ligação entre os dois. / AP e AFP

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