Ministro das Relações Exteriores da Tunísia renuncia ao cargo

Kamel Morjane que fazia parte do governo de Ben Ali disse que sai 'por interesse da Tunísia'

Efe

27 de janeiro de 2011 | 17h25

TÚNIS - O ministro das Relações Exteriores tunisiano, Kamel Morjane, procedente do regime anterior, apresentou nesta quinta-feira, 27, sua renúncia "pelo interesse da Tunísia" e para apoiar a ação do governo, a fim de que a "revolução" do país possa "conseguir suas aspirações", informou a agência oficial de notícias "TAP".

 

"Considerando o interesse da Tunísia e apoiando a ação do governo de união nacional para dirigir o país rumo a um futuro estável, decidi renunciar às minhas funções", afirmou Morjane à agência oficial.

 

Ele assinalou também que apresenta sua demissão com o objetivo de apoiar a ação do governo "para que a revolução popular vivida por nosso país produza seus frutos e realize as aspirações de liberdade, orgulho e dignidade de nosso povo".

 

Morjane, de 69 anos, formado em prestigiosas universidades norte-americanas, entrou no governo do presidente deposto Zine el-Abidine Ben Ali em 2005 como ministro da Defesa, assumindo posteriormente a pasta de Exteriores.

 

Nos últimos anos, ele era considerado na Tunísia como o candidato favorito do governo americano para suceder Ben Ali no poder.

 

Algumas fontes lhe atribuíram um papel-chave na queda do governante anterior, junto ao chefe do Estado-Maior do Exército, general Rachid Ammar.

 

Foi confirmado pelo primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, no Governo de transição. Dos ministros do regime político anterior com postos importantes no atual Executivo, ele era um dos menos criticados pelas manifestações populares.

 

A renúncia de Morjane ocorre quando, nesta quinta-feira, se aguarda ainda o anúncio de um novo governo de transição, do qual devem se ausentar todos os ministros do Gabinete anterior em postos considerados de soberania, salvo Ghannouchi, segundo a última proposta do presidente interino do país, Fouad Mebazaa, à qual a Agência Efe teve acesso.

 

Milhares de manifestantes fizeram novos protestos nesta quinta-feira na capital e em outras regiões do país para reivindicar a saída de todos os ministros de Ben Ali que permaneceram no atual gabinete.

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