Ministro de Cristina é alvo de denúncias

Oposição argentina acusa Julio de Vido de liderar tentativa de compra de votos para aprovar o orçamento de 2011

Ariel Palacios CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

O ministro argentino do Planejamento Federal e Obras, Julio de Vido - considerado o braço direito da presidente Cristina Kirchner na área econômica - é apontado pela oposição como o coordenador de supostas pressões e ofertas a deputados para que ajudassem a aprovar o orçamento de 2011, debatido no plenário da Câmara na semana passada.

Entre os partidos que indicam De Vido como o principal responsável está o Projeto Sul, de esquerda, comandado pelo cineasta e deputado Fernando "Pino" Solanas. O secretário parlamentar do partido, Mario Mazzitelli, afirmou que parlamentares de seu bloco receberam pressões e ofertas de suborno de assessores do poderoso ministro.

A líder da Coalizão Cívica, a deputada Elisa Carrió, afirmou que há suspeitas sobre 12 parlamentares da oposição, que se retiraram repentinamente do plenário antes da votação. A ausência deles, no entanto, não permitiu a vitória do governo, já que a oposição derrubou o projeto de lei da presidente Cristina por 117 votos a 112.

A oposição afirma que outros 15 deputados receberam telefonemas do governo com pressões e ofertas para mudar de voto ou deixar o plenário na votação.

O deputado Carlos Kunkel, um dos principais aliados da presidente Cristina, retrucou as acusações e afirmou que ocorreu o contrário, já que deputados da oposição "estiveram procurando os "sobres" (envelopes, gíria para as propinas) e agora dizem que nós tentamos suborná-los".

Hoje, duas deputadas - Elsa Álvarez, da União Cívica Radical (UCR) e Cinthya Hotton, do partido Valores para Meu País - vão depor na comissão parlamentar que investiga o caso. Carrió também prestará depoimento. Ela prometeu falar "tudo" o que sabe sobre a noite da votação. Carrió - segunda colocada nas eleições presidenciais de 2007 - é famosa por denunciar casos de corrupção de diversos governos desde os anos 90.

Sua colega de partido, Patrícia Bullrich, sustentou que existem informações de que além de De Vido também estariam envolvidos os ministros Julián Domínguez, de Agricultura; Carlos Tomada, do Trabalho; e o chefe do gabinete, Aníbal Fernández, braço direito da presidente Cristina na área política. "Não é lícito que um ministro telefone a um deputado no meio de uma sessão para dizer que se votar a favor, o governo em troca dará mais verbas para sua província."

De Vido já esteve envolvido em denúncias sobre negócios irregulares milionários com o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O ministro, foco de polêmicas nos últimos sete anos, aumentou seu peso dentro do governo de Cristina depois da morte do ex-presidente Kirchner, há três semanas.

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