REUTERS/Youssef Boudlal
REUTERS/Youssef Boudlal

Ministro de Direitos Humanos do Marrocos qualifica homossexualidade como ‘asquerosa’

Na semana passada, Mustafa Ramid havia dito que os homossexuais eram ‘lixo’; ele alega que não sabia que estava sendo gravado e foi ao Facebook se explicar

O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2017 | 10h48

RABAT - O ministro de Direitos Humanos do Marrocos, o islamista Mustafa Ramid, que há uma semana qualificou os homossexuais como "lixo" sem saber que estava sendo gravado, quis explicar suas palavras e acabou dizendo que a homossexualidade é "asquerosa".

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Em sua conta no Facebook, Ramid quis abordar a polêmica causada na sexta-feira 13 por suas palavras e publicou um longo texto para explicar seu ponto de vista.

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"Se qualifiquei a homossexualidade como asquerosa, foi em referência aos atos e às práticas homossexuais como tais, e não necessariamente às pessoas que com ela se identificam", esclareceu o ministro, fazendo uso a todo o tempo da expressão "desvio sexual".

Ramid ainda ressaltou: "A homossexualidade continua sendo um delito punido pela lei marroquina e, além disso, inaceitável na nossa sociedade".

Ele, que antes de ser ministro de Direitos Humanos ocupou a pasta de Justiça, nunca escondeu sua opinião sobre os homossexuais, e em várias ocasiões disse que a sociedade marroquina "não está preparada" para admitir a homossexualidade.

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O Código Penal marroquino pune no seu Artigo 489 a prática da homossexualidade - definida como "a comissão de atos antinaturais com indivíduos do mesmo sexo" - com penas de até três anos de prisão.

Ramid participou recentemente em Genebra do "exame periódico universal sobre os direitos humanos", onde apresentou algumas medidas introduzidas no seu país, mas sem mencionar temas mais espinhosos, como a proibição da homossexualidade, das relações sexuais extraconjugais, da infração do jejum no Ramadã ou da conversão a qualquer religião diferente do Islã. / EFE

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