Government Pool Photo / AP
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Ministro de Economia russo é preso acusado de corrupção

Alexey Ulyukayev teria cobrado suborno de US$ 2 milhões de uma indústria petrolífera para autorizar a compra de uma empresa estatal

O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2016 | 12h34

MOSCOU - Alexey Ulyukayev, ministro da Economia da Rússia e um dos membros mais proeminentes do governo, foi acusado nesta terça-feira, 15, de "cobrar subornos", depois de ter sido preso no dia anterior pelo serviço secreto. Ele foi detido no âmbito da investigação conduzida pelo Serviço Federal de Segurança russo (FSB, sucessor da extinta KGB) por um esquema de corrupção de largas proporções.

O ministro de 60 anos "exigiu da direção da companhia Rosneft", o gigante russo da indústria petrolífera, um suborno de US$ 2 milhões para autorizar a compra da empresa Bachneft, propriedade do Estado, indicou o Comitê de Investigação da Rússia (SK).

Trata-se do mais alto funcionário russo a ser preso desde a chegada ao poder, em 2000, do atual presidente Vladimir Putin, que de acordo com seu porta-voz, Dmitri Peskov, estava ciente da investigação desde o início. A imprensa e observadores tentavam determinar se a prisão e acusação do ministro era de fato um caso de corrupção ou de um acerto de contas entre grupos do Kremlin.

O ministro teria recebido na segunda-feira US$ 2 milhões para autorizar a companhia petrolífera semi-estatal Rosneft a comprar uma participação majoritária na estatal energética Bashneft em outubro, segundo o SK. Ele também teria "ameaçado usar seus poderes ligados ao seu cargo para criar obstáculos para as atividades da companhia", de acordo com a mesma fonte.  Se for considerado culpado, o ministro, membro-chave do governo, pode enfrentar uma pena entre 8 e 15 anos de prisão.

A porta-voz do Comitê de Investigação do Ministério Público russo, Svetlana Petrenko, disse à agência de notícias russa RIA Novosti que, contra o ministro, há suspeitas de que ele tenha cometido extorsão para pedir suborno a executivos da companhia Rosneft, além de fazer ameaças.

"Ulyukayev foi flagrado com a mão na massa", completou. No entanto, Petrenko disse que a compra das ações da Bashneft foi realizada em conformidade com a lei e não é questionada pela investigação.

A venda de 50,07% dos ativos da sexta maior empresa de petróleo da Rússia, com sede na república de Bashkortostan, na região dos Urais, provocou um grande debate na Rússia. A absorção de uma companhia petrolífera estatal por outra enfrentava a oposição de parte do governo russo, mas Ulyukayev validou o processo.

Acusação. A companhia Rosneft é dirigida por Igor Setchine, um homem discreto e influente muito próximo de Putin e considerado um dos líderes dos "siloviki", nome dado ao grupo de autoridades que emergiram do serviço secreto, das forças armadas ou da polícia russa. A política do país tem sido marcada nos últimos 15 anos por disputas internas entre os "siloviki" e os "liberais", arbitradas por Vladimir Putin.

Ulyukayev é partidário de reformas de liberalização e havia advertido recentemente para a "estagnação" da economia russa. Como parte do governo, ele se opunha num primeiro momento à venda de capital da Bachneft a Rosneft. Mas após uma virada do Kremlin, ele deu início, em outubro, à transação de cerca de US$ 5 bilhões, o que foi interpretado como uma vitória de Setchine.

Um porta-voz da Rosneft declarou à agência de notícias oficial TASS que a empresa não comenta sobre processos judiciais em curso. No entanto, o funcionário argumentou que a aquisição das ações da Bashneft foi realizada "de acordo com a lei russa, com base na melhor oferta comercial feita ao banco operador".

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou à agência de notícias Interfax que "esta é uma acusação muito séria, que exige provas concretas". "Em todo caso, só um tribunal pode decidir" sobre a questão, disse ele.

O vice-presidente do banco central russo, Serguei Shvetsov, mostrou-se surpreso com a prisão do ministro. Ulyukayev é "a última pessoa de quem se poderia suspeitar de algo. O que está sendo publicado na imprensa parece absurdo. Por enquanto nada está claro", disse à RIA Novosti. / AFP

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