Ministro de Israel admite desespero de jovens suicidas

O ministro da Defesa de Israel, Binyamin Ben-Eliezer, disse, nesta quinta-feira, ter visitado na cadeia dois fracassados atacantes suicidas para tentar entender a motivação deles e que sentiu que ambos foram impulsionados por um desespero que não terá fim até que os palestinos possam sonhar com uma vida melhor.Ben-Eliezer, que também é líder do moderado Partido Trabalhista, conversou separadamente no começo do mês com os dois detentos. Ele relatou ter sentido compaixão por um deles, uma palestina, que recuou no último minuto e fugiu, em vez de detonar explosivos atados a seu corpo.Desespero"Se você me perguntar qual é, na verdade, o código que os une, é o desespero a que chegaram essas pessoas", afirmou Ben-Eliezer nesta quinta-feira à Rádio de Israel. "Não os justifico. Tentei em minhas conversas ir fundo para tentar entender o processo interior."Ben-Eliezer disse ter tido uma longa conversa com Ghassan Satiti, 18 anos, que foi preso no começo do ano em sua quarta tentativa de promover um ataque, e com Arin Ahmed, uma jovem palestina de 20 anos que recuou do que seria um duplo atentado suicida à bomba em maio, em Rishon Letzion, no sul de Tel Aviv.Duplo atentadoAhmed deveria ter esperado até que equipes de resgate chegassem, depois que Issa Bdeir promovesse um atentado suicida à bomba, e então detonaria os explosivos que carregava. Bdeir concluiu sua missão, matando dois israelenses e ferindo outros 51.Ahmed recuou e foi levada para Belém por militantes que a enviariam a outra missão, mas foi presa dias depois por autoridades israelenses em sua casa em Beit Sahour, nas proximidades de Belém. Os dois se encontraram com Ben-Eliezer no Complexo Penitenciário Russo, em Jerusalém Ocidental, segundo o diário Haaretz, que publicou uma ampla matéria do caso em sua revista semanal.Estudante de comunicação"Como ministro da Defesa, sei como lidar com tanques e aviões, sei como lidar com combatentes. Eu quero saber qual é o combustível que impulsiona os atacantes suicidas - se há qualquer denominador comum", afirmou Ben-Eliezer à Rádio de Israel. "Quero entender se o pano de fundo é étnico, religioso - onde eles vivem, sua educação, condições sociais."Ben-Eliezer relatou ter se reunido separadamente com Satiti e Ahmed e disse ao Haaretz que a conversa com Ahmed o entristeceu e que a expressão de remorso dela era tocante e parecia sincera. Satiti, afirmou, "recitou a lavagem cerebral" das milícias, incluindo querer ter uma morte de mártir e participar da guerra santa pela libertação da Palestina.Segundo o Haartez, Ahmed, uma estudante de comunicação e programação de computadores da Universidade de Belém, disse que estava deprimida e "agoniada" depois que seu namorado de um ano e meio, Jad Salem, da milícia Tanzim, foi morto em março. Palestinos afirmam que um tanque israelense disparou contra o carro que ele dirigia; o Exército de Israel garantiu que ele morreu enquanto preparava um carro-bomba.Ahmed, escreveu o Haaretz, disse a Ben-Eliezer: "Pensava em Jad. E, de repente, falei para eles, querem saber? Vou cometer um atentado suicida à bomba".ParaísoEla afirmou ter ficado chocada quando militantes da Tanzim apareceram quatro dias depois para convocá-la para uma futura missão e a persuadiram a participar pela memória de Jad e para se reunir a ele no Paraíso. Ela disse ter recuado após descer do carro em Rishon Letzion e ver as pessoas, mulheres, crianças e adolescentes.Ahmed chorou, afirmando saber que havia cometido um erro, pediu para ser libertada e perguntou a Ben-Eliezer o que iria acontecer com ela. O ministro, segundo o Haaretz, apenas respondeu em árabe: "A cada um seu destino".Depois dos encontros, Ben-Eliezer disse ao Haaretz que as ações do Exército israelense, apesar de necessárias, "alimentam a frustração e o desespero", tornando jovens palestinos mais suscetíveis à pressão e persuasão daqueles que os enviam para morrer em Israel.Novo sonho"Assim que os palestinos tiverem um novo sonho de uma vida verdadeiramente melhor, toda a conversa sobre virgens no Paraíso e todas as outras tolices que são vendidas para eles perderão sua mágica", teria dito o ministro. Então, acrescentou, jovens palestinos "dirão não a qualquer um que tente convencê-los a escolher a morte sobre a vida".Comentando as declarações de Ben-Eliezer, o rabino Marvin Hier, fundador do Centro Simon Wiesenthal, disse: "Concordo com a frustração dele, mas penso que ele deveria ter dito que os sonhos (dos palestinos) foram estilhaçados pelos seus próprios líderes. Ele sabe disso".Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL ORIENTE MÉDIO

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