Ministro de Petróleo da Líbia deserta, diz rebelde

O ministro de Petróleo da Líbia, Shokri Ghanem, desertou do regime de Muamar Kadafi, afirmou hoje o ministro de Petróleo e Finanças dos rebeldes líbios, Ali Tarhouni. "Até onde sei, ele desertou", afirmou o insurgente em entrevista durante uma visita a Doha. Segundo ele, o graduado funcionário do regime teria fugido para a vizinha Tunísia.

GABRIEL BUENO, Agência Estado

17 de maio de 2011 | 12h21

Tarhouni disse que não está claro se Ghanem terá algum papel para ajudar os rebeldes a retomar a produção petrolífera no leste do país. "Os que desertam do regime não necessariamente serão parte do CNT (Conselho Nacional de Transição)", disse. "Shokri Ghanem não será um membro do CNT", acrescentou.

Um funcionário do setor de segurança tunisiano confirmou que Ghanem estava na Tunísia, mas não sabia se ele havia desertado. A fonte disse que o ministro estava na ilha de Djerba, no sul do país, desde sábado. Ghanem não foi localizado para comentar o assunto.

A expectativa era que Ghanem viajasse para Viena, para um encontro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), marcado para 8 de junho. A produção da Líbia despencou, dos 1,6 milhão de barris ao dia registrados antes do início dos conflitos. Em fevereiro, a companhia italiana Eni Spa afirmou que essa queda era de mais de 50%.

Questionado sobre a suposta deserção, o porta-voz do governo da Líbia, Moussa Ibrahim, não a negou. "Não é uma grande coisa para nós. Se ele o fez, é problema dele". Ibrahim disse que Ghanem seguiu para a Tunísia como parte de sua agenda oficial, mas planejava ficar fora por alguns dias. "Nós não conseguimos contatá-lo desde a noite passada", reconheceu o funcionário.

O porta-voz ressaltou que o regime líbio segue firme, apesar da insurgência armada nos últimos três meses e dos ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A aliança age sob o amparo do Conselho de Segurança da ONU, para evitar a morte de civis. "Esta é uma luta pela nação toda, para avançar rumo à paz e à democracia", afirmou Ibrahim. "Isso não depende das escolhas de qualquer indivíduo". As informações são da Dow Jones.

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