Ministro de Sarkozy é acusado de assédio

Duas funcionárias de uma prefeitura nos arredores de Paris acusam Georges Tron de abusos sexuais entre 2007 e 2010

, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

PARIS

Promotores franceses abriram um inquérito preliminar ontem para investigar acusações de assédio sexual contra o vice-ministro responsável pelo funcionalismo público francês, Georges Tron. Ele é acusado por duas mulheres e teria cometido os crimes entre 2007 e 2010, enquanto era prefeito da região de Draveil, ao sul de Paris.

As duas mulheres, identificadas como Laura, de 34 anos, e Eloise, de 36, trabalhavam na prefeitura e apresentaram as queixas separadamente. Elas disseram à imprensa que não se conheciam durante esse período e os supostos ataques ocorreram depois que Tron ofereceu-lhes uma massagem terapêutica nos pés. Ambas tiveram quadro depressivo e tentaram suicídio após os abusos.

Uma das duas vítimas afirmou que decidiu romper o silêncio após a prisão do ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn. "Quando vi que uma camareira pode enfrentar o poderoso Dominique Strauss-Kahn, disse a mim mesma que não tinha o direito de ficar calada e permitir que Tron atacasse outras mulheres", disse.

Uma das mulheres disse ao jornal Le Parisien que o então prefeito a tocava de forma inapropriada quase todos os dias em que ela trabalhou como recepcionista no escritório dele. "Depois de uma refeição regada a álcool, ele me pediu para ficar na sala, e começou a me despir. Pediu que eu fechasse os olhos. Fiquei paralisada, pensei que iria morrer", relatou. Ela afirmou ainda que, após o abuso, Tron obrigou-a a redigir sua própria carta de demissão, ditando-a.

O advogado de Tron, Olivier Schnerb, afirma que as acusações são falsas, que seu cliente irá processar as acusadoras por difamação. "Isso tudo é absurdo, uma sucessão de denúncias falsas, puramente difamatórias", disse Schnerb em declaração à repórteres.

Vice-ministro desde março do ano passado e um dos aliados mais próximos do presidente francês, Nicolas Sarkozy, Tron nega as acusações. O político é reflexologista profissional, mas afirma ser vítima de um complô para tentar acabar com a sua carreira política. Segundo ele, as mulheres querem se vingar de suas demissões da prefeitura. O ministro disse ainda que elas são ligadas a pessoas da oposição de extrema direita.

Denúncias. A prisão de Strauss-Kahn - conhecido como "O Grande Sedutor" na França - chocou o país, mas também chamou a atenção para a aparente relutância da mídia francesa em divulgar denúncias de abusos sexuais contra políticos, celebridades e outras personalidades.

Desde a detenção do ex-chefe do FMI, outras mulheres denunciaram ataques de Strauss-Kahn. O ex-diretor, favorito para vencer as eleições presidenciais francesas do ano que vem, foi libertado sob fiança e nega as acusações, assim como Tron.

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