Ministro diz que Irã não quer armas nucleares

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, disse neste domingo que seu país não busca construir armas nucleares e não precisa de urânio enriquecido a nível militar.

AE, Agência Estado

30 Setembro 2013 | 08h41

"Nós não queremos armas nucleares", disse o ministro no programa "This Week", da rede ABC. "Acreditamos que armas nucleares são prejudiciais para nossa segurança".

Zarif rejeitou a afirmação de Israel de que o Irã está a apenas alguns meses de ter uma arma nuclear. O ministro disse afirmou que o país não está à procura de tais armas, "portanto, não estamos a seis meses, seis anos, 60 anos de armas nucleares".

Os comentários de Zarif foram feitos em um momento de intensificação de esforços para resolver a disputa sobre o programa nuclear do Irã. O presidente dos EUA, Barack Obama, e o líder iraniano, Hasan Rouhani, conversaram por telefone na sexta-feira, o que marcou a primeira vez em três décadas que mandatários dos dois países conversaram pessoalmente.

No domingo, Zarif pediu o fim do que ele descreveu como sanções ilegais e disse que o Irã está disposto a abrir as portas de suas instalações nucleares aos observadores internacionais.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, descreveu os passos que o Irã poderia tomar, como concordar em cessar o enriquecimento de urânio acima de um determinado nível. Em resposta a essas sugestões, Zarif disse apenas que o Irã está preparado para começar a negociar, mas afirmou que não o faria na televisão.

"Tenho certeza que o secretário Kerry não quer ditar o que devemos ou não fazer", disse ele. "Estamos dispostos a nos envolver em negociações."

Ainda que o ministro tenha dito que o Irã não precisa de urânio em grau militar, ele afirmou que o direito de seu país enriquecer urânio é inegociável. Ele afirmou que os iranianos estão dispostos a perdoar os EUA depois de décadas de tensões, mas o país não se esquecerá desta história.

Zarif também abordou questões sobre se os líderes iranianos reconhecem e condenam o Holocausto. Ele disse que o Holocausto foi um genocídio e um crime hediondo que nunca deve ser repetido.

Questionado sobre uma declaração no site em língua inglesa do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que refere-se ao mito do Holocausto, Zarif caracterizou a frase como uma "má tradução", dizendo que o Holocausto não foi um mito.

"Este é um problema quando você traduzir algo do persa para Inglês, você pode perder alguma coisa", disse ele. Fonte: Dow Jones Newswires.

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