Ministro diz que Japão é capaz de produzir armas nucleares

O Japão possui o conhecimento tecnológico para produzir uma arma nuclear, mas não tem planos imediatos para fazê-la, segundo informou o ministro do Exterior a um comitê parlamentar nesta quinta-feira. O ministro do Exterior Taro Aso, que levantou a discussão sobre a política não-nuclear do Japão, também defendeu que a constituição pacifista não proíbe a posse de uma bomba atômica para a defesa. "O Japão é capaz de produzir armas nucleares", disse Aso a um comitê parlamentar sobre questões de segurança. "Mas não estou dizendo que planejamos possuir armas nucleares." Sua afirmação ocorre um mês após o chefe da Agência de Defesa Fumio Kyuma fazer comentários semelhantes. Kyuma disse em 25 de outubro que "talvez nós tenhamos o potencial para fazer armas nucleares". Mas ele se opôs ao "debate sem cuidado" se o Japão deve se tornar uma potência nuclear. O Japão, único país atacado por armas atômicas, há décadas segue uma política de não possuir desenvolver, ou permitir a introdução de bombas nucleares em seu território. A primeira instância não-nuclear, no entanto, tem vindo sob um escrutínio crescente desde que a Coréia do Norte conduziu seu primeiro teste nuclear em nove de outubro, que levantou sérias preocupações sobre segurança no Japão. O aumento do medo pode desencadear uma corrida armamentista regional. Meses antes do teste nuclear, a Coréia do Norte testou diversos mísseis balísticos capazes de atingir o Japão. Kiyomi Tsujimoto, do partido Social-Democrata, de oposição, criticou Aso por apoiar o debate sobre a posse de armas nucleares em um momento delicado. "A comunidade internacional tem grandes preocupações sobre a possessão de plutônio por parte do Japão", disse Kiyomi. "Como um ministro do Exterior, Sr. Aso, você tem consciência do impacto global em dizer que não é ruim discutir a possessão nuclear sob essas circunstâncias?" O grande estoque de plutônio do Japão, derivado dos reatores nucleares é uma grande preocupação internacional, pois poderia ser um alvo de ataques terroristas, ou poderia ser transformado em armas nucleares. Aso negou estimular tal debate. O premier Shinzo Abe defendeu diversas vezes desde, o teste da Coréia do Norte, que o Japão não iria se desviar de sua política não-nuclear, e se recusou a iniciar uma revisão formal de tal instância. Diversos membros de alto escalão do governo e dos partidos governistas, inclusive Aso, no entanto, tem discutido a fim de realizar uma revisão da política nuclear, tendo em vista a ameaça norte-coreana. Em audiência perante a o Comitê de Segurança do parlamento, Aso reiterou sua crença de que a cláusula pacifista da constituição não impede o japão de ter bombas nucleares com o propósito de defesa. O artigo 9 da constituição impede o Japão de usar a força para resolver disputas internacionais. "A posse de um nível mínimo de armas para defesa não está proibida sob o artigo 9 da constituição", disse Aso. "Mesmo armas nucleares, se houver alguma que se atenha a esse limite, não estão proibidas."

Agencia Estado,

30 Novembro 2006 | 08h12

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