Ministro do Egito alerta manifestantes após 80 mortes

'A polícia está decidida a manter a segurança da nação e é capaz de fazer isso', afirmou Mohamed Ibrahim

AE, Agência Estado

28 de julho de 2013 | 09h23

O ministro do Interior do Egito, Mohammed Ibrahim, prometeu neste domingo (28) lidar decisivamente com qualquer tentativa de desestabilizar o país, em um alerta velado para os apoiadores do presidente deposto Mohammed Morsi, que ocupam duas praças no Cairo há um mês.

 

 

 

O alerta foi feito após autoridades egípcias informarem que subiu para 72 o número de mortos nos confrontos deste fim de semana entre forças de segurança do Egito e apoiadores do presidente deposto Mohammed Morsi. Mais tarde, contudo, o chefe do departamento de emergência do Ministério da Saúde do país, Khaled el-Khateeb, informou que o número de vítimas chegou a 80.

 

 

 

"Eu garanto ao povo do Egito que a polícia está decidida a manter a segurança da nação e é capaz de fazer isso", disse Ibrahim em uma cerimônia de graduação na academia da polícia nacional. "Nós vamos lidar muito decisivamente com qualquer tentativa de minar a estabilidade", acrescentou.

 

 

 

Um funcionário do principal necrotério do Cairo afirmou, no entanto, que 11 corpos foram levados ao local neste domingo, o que elevaria a quantidade de vítimas para 83.

 

 

 

Os comentários de Ibrahim ampliam a pressão sobre os defensores de Morsi três semanas depois de o presidente ser deposto por um golpe militar que seguiu-se a dias de protestos nas ruas feitos por milhões de pessoas que pediam que ele renunciasse.

Na sexta-feira (26), novamente milhões de pessoas tomaram as ruas em uma demonstração de apoio ao general Abdel-Fattah el-Sissi, o líder militar que depôs Morsi. Esses protestos foram uma resposta ao pedido do general para ter um mandato e para que a polícia desse um fim ao que ele chamou de violência e potencial terrorismo.

Ibrahim, que foi nomeado por Morsi, acusou os defensores do presidente deposto de provocar o derramamento de sangue e sugeriu que as autoridades podem agir contra os dois principais acampamentos de apoiadores do ex-presidente: um ao lado da mesquita Rabaah al-Adawiya e outro na praça Nahda, ambos no Cairo.

As autoridades admitem que a vasta maioria dos mortos nos conflitos são manifestantes, mas o Ministério do Interior afirmou que alguns policiais ficaram feridos e ainda não está claro se civis que se alinharam à polícia estão entre os mortos.

A diretora de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay, emitiu um comunicado condenando a violência. "Temo pelo futuro do Egito se os militares e outras forças de segurança, bem como alguns manifestantes, continuarem tomando uma abordagem tão confrontadora e agressiva. Os defensores da Irmandade Muçulmana têm o direito de protestar pacificamente como qualquer um", disse. Fonte: Associated Press.

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