Ministro do Interior da Líbia, o 'número dois de Kadafi', renuncia

Segundo Al-Jazira, general pediu que Exército se una ao povo e suas 'demandas legítimas'

estadão.com.br

22 de fevereiro de 2011 | 17h51

TRÍPOLI - O ministro do Interior da Líbia, Abdul Fatah Younis, renunciou ao cargo nesta terça-feira, 22, e se tornou mais um da equipe de governo de Muamar Kadafi a deixar o posto devido à repressão do coronel aos protestos populares no país. Younis, que é o segundo no comando da Líbia e general do Exército, pediu que os militares se unam ao povo e suas "demandas legítimas", segundo o canal árabe Al-Jazira.

 

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Kadafi, que está no poder há 41 anos, perdeu o apoio de vários de seus ministros que não concordam com as medidas violentas tomadas pelo governo para coibir os protestos que tomaram o país há uma semana, a exemplo do que ocorreu no Egito e na Tunísia. Embaixadores líbios em vários países e diplomatas representantes do país africano na Organização das Nações Unidas (ONU) também abandonaram o coronel.

 

 

Nesta terça, o líder líbio fez seu segundo discurso na televisão em menos de um dia. Kadafi afirmou que não deixará o país, como pedem os manifestantes, e que "morrerá como um mártir". Ele ainda criticou os opositores que foram às ruas, chamando-os de terroristas e drogados, e afirmou que lutará contra eles.

 

A Líbia tem vivido dias de tensão por conta das manifestações contra o coronel. Nos últimos dias, houve escalada da violência e quase 300 pessoas morreram devido à repressão das forças armadas e do choque entre manifestantes e simpatizantes do governo. Testemunhas disseram que aviões e helicópteros militares bombardearam marchas na segunda-feira e que havia mercenários pagos pelo governo para disparar contra a população na capital, Trípoli.

 

As marchas em Trípoli, Benghazi e outras cidades líbias seguem-se às revoltas populares que derrubaram ditaduras que duravam décadas no Egito e na Tunísia. Kadafi está no poder na Líbia há 41 anos e mantém os militares e a mídia do país sob forte controle. O país tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África, mas a riqueza obtida com o abundante petróleo não é bem distribuída entre a população. O índice de desemprego é de cerca de 30%.

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