Khalil Hamra/AP
Khalil Hamra/AP

Ministro do Interior do Egito sofre atentado com carro-bomba

Ibrahim estava em Nasr City, reduto da Irmandade Muçulmana; nenhum grupo assumiu autoria do ataque

O Estado de S. Paulo,

05 de setembro de 2013 | 09h45

CAIRO - O ministro do Interior do Egito, Mohamed Ibrahim, sofreu uma tentativa de assassinato nesta quinta-feira, 5, com um carro-bomba enquanto seu comboio atravessava o bairro de Nasr City, no Cairo, informaram a mídia estatal e autoridades de segurança.

O motorista do carro morreu, disse uma autoridade de segurança ao jornal estatal Al-Ahram. Fontes de segurança também disseram que pelo menos 10 pessoas ficaram feridas, mas o ministro, que vive no bairro onde ocorreu a explosão, não ficou ferido.

Osama al-Saghir, chefe de segurança do Cairo, disse que o veículo blindado de Ibrahim também ficou sob fogo de artilharia pesada durante o ataque. "O motorista do carro-bomba encontrou seu fim e os investigadores encontraram os restos de um corpo que estão sendo examinados", disse.

Claramente abalado, mas ileso, o ministro falou à televisão estatal duas horas depois do ataque, ocorrido no final da manhã. Ele disse que seu carro, um SUV preto, foi diretamente atingido por "um grande artefato explosivo" que danificou cinco veículos do comboio. "Foi uma hedionda tentativa de assassinato."

Ibrahim foi um dos responsáveis por uma violenta repressão aos partidários de Mohamed Morsi, presidente deposto há dois meses pelo Exército, após protestos em massa contra seu governo.

O governo apoiado pelos militares já matou centenas de partidários da Irmandade Muçulmana, grupo do qual Morsi faz parte e que é acusado pelas autoridades de incitar a violência e cometer atos terroristas. Cerca de 100 integrantes das forças de segurança também foram mortos.

A Irmandade nega as acusações e acusa o Exército de encenar um golpe para tentar levar o Egito de volta à era repressiva do ex-presidente Hosni Mubarak. A Irmandade diz estar comprometida com a resistência pacífica.

O atentado contra Ibrahim - primeiro contra um graduado membro do governo desde o golpe de Estado - ocorreu em um dos redutos da Irmandade Muçulmana, mas nenhum grupo assumiu a autoria do ataque. O local também foi palco do protesto dos partidários de Morsi, invadido pela polícia em 14 de agosto, o que resultou na morte de centenas de pessoas./ REUTERS e AP

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