Ministro do Interior reconhece falhas na segurança de Mumbai

Índia diz que terroristas contaram com ajuda de Bangladesh; segundo CNN, homem teria fornecido celulares

Agências internacionais,

05 de dezembro de 2008 | 07h44

O novo ministro do Interior da Índia admitiu nesta sexta-feira, 5, que existiram falhas de segurança nos ataques coordenados contra a cidade de Mumbai, incidente que Nova Délhi acusa militantes paquistaneses. Segundo fontes de segurança indianas ouvidas pela CNN, os homens armados que mataram cerca de 180 pessoas e provocaram três dias de caos na cidade tiveram ajuda de um cidadão de Bangladesh, que teria fornecido chips de celulares de várias partes da Índia para confundir o rastreamento,   Veja também: Brasil aprova venda de mísseis para o Paquistão  Índia jamais cauterizou as feridas de 1947 Assista ao vídeo com cenas dos ataques  Imagens de Mumbai    Autoridades fecharam na madrugada nesta madrugada (horário local) o aeroporto internacional de Nova Délhi Indira Gandhi por 20 minutos, após um suposto tiroteio em seus arredores. O alarme aconteceu depois que um veículo tentou se aproximar do terminal de desembarque através de uma via proibida. O aeroporto de Nova Délhi se encontrava em estado de alerta máximo por uma ameaça de atentado por causa do aniversário da demolição da mesquita de Babri, uma data sensível no calendário indiano. As autoridades tinham reforçado a segurança com vigilância das Forças Aéreas e o desdobramento de soldados adicionais em terra.   "Seria faltar com a verdade se eu disse que não houve falhas", afirmou o ministro Palaniappan Chidambaram aos repórteres. "Estamos vendo o que aconteceu. Apontaremos as causas das falhas". Chidambaram assumiu no domingo, depois que seu antecessor, Shivraj Patil, deixou o cargo.   A Índia afirma que nove militantes foram mortos e um capturado vivo, mas analistas americanos apontam que mais homens que participaram da ação poderiam ter escapado. "Acho que são mais. Minhas fontes falam em pelo menos 23 homens armados", disse Farhana Ali, ex-membro da CIA e especialista em redes terroristas e antiterror. "Se isso for verdade, uma pergunta que deveria ser feita é porque não temos visto mais ataques. Por acaso estão se escondendo?", questionou.   Jornais indianos disseram que a ISI, poderoso serviço secreto do Paquistão, estaria envolvido no treinamento dos militantes - que pertenceriam ao grupo Lashkar-e-Taiba é um dos grupos extremistas que atuam na Caxemira indiana, região de maioria muçulmana, reivindicada pelo Paquistão e pela Índia. Segundo o Times of India, a "conexão é clara e evidente".   Bangladesh   Segundo fontes de segurança ouvidas pela CNN, os homens que atacaram Mumbai tiveram o apoio de um cidadão de Bangladesh. Ele teria fornecido cartões para celulares (chips) de diferentes localidades da Índia, confundindo assim o rastreamento das ligações.   Um analista que estuda as tensões entre Índia e Paquistão acredita que a operação terrorista foi planejada e executada por militantes de Bangladesh, do Paquistão e da Índia. "Eles precisam de pessoas no terreno que os guiem e forneçam informações", afirmou Shuja Nawaz. "Por outro lado, o Lashkar não tem capacidade para fazer esta ligação, para fazer todos esses planos e transformar tantas pessoas em alvo de modo tão efetivo".   A polícia indiana informou na quinta ter identificado um segundo terrorista paquistanês responsável por planejar os ataques coordenados em Mumbai, oeste da Índia, e pôs os aeroportos em alerta máximo após ameaças de ataque. Zaki-ur-Rehman Lakhvi teria ajudado a doutrinar os militantes que lançaram os atentados. O outro terrorista a quem a polícia atribui o planejamento dos ataques é Yusuf Muzammil. Ambos são líderes do grupo militante islâmico Lashkar-i-Taiba, do Paquistão. Lakhvi foi acusado de envolvimento pelo único terrorista preso, Ajmal Amir Kasab, de 21 anos.   Os terroristas teriam mantido contato com Lakhvi durante a viagem e mesmo depois do início dos atentados. A polícia indiana também informou ter detido um indiano supostamente envolvido nos ataques. Ele teria visitado Mumbai no início do ano para mapear os locais que foram atacados pelos terroristas na semana passada. Faheem Ahmed Ansari, o suposto colaborador, foi preso em 10 de fevereiro no Estado de Uttar Pradesh, norte da Índia, por sua ligação com um ataque com granada contra a polícia local. Ele teria confessado ser membro do Lashkar-i-Taiba e ter feito o levantamento de possíveis alvos em Mumbai, como o Hotel Taj Mahal e a estação de trem Chhatrapati Shivaji.   As investigações da polícia mostram ainda que os terroristas de Mumbai agiram com extrema crueldade em alguns casos. Corpos de vítimas do centro judaico apresentam sinais de estrangulamento e ferimentos que não foram causados por tiros ou explosão de granadas.   Homenagem   Neste domingo, 7, a Confederação Israelita do Brasil (Conib), a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e as entidades Chabad Lubavitch realizam um ato em memória às vítimas dos atentados em Mumbai, que na série de ataques deixou seis judeus mortos em um centro judaico. O evento acontecerá na Avenida Angélica, número 750, às 19h30.   (Matéria atualizada às 16h35)

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