REUTERS/Romeo Ranoco
REUTERS/Romeo Ranoco

Ministro do Interior reconhece vitória de rival nas eleições das Filipinas

Destaque do pleito foi Geraldine Roman, primeira transexual a ser eleita para ocupar uma cadeira no Congresso dos Deputados

O Estado de S. Paulo

10 Maio 2016 | 10h15

MANILA - O atual ministro do Interior e candidato à presidência das Filipinas, Mar Roxas, reconheceu nesta terça-feira, 10, a vitória de seu principal rival, Rodrigo Duterte, nas eleições presidenciais das Filipinas, realizadas na segunda-feira.

"'Digong' (como Duterte é conhecido popularmente), lhe desejo sucesso", disse Roxas em discurso para seus partidários. "O seu sucesso será o sucesso de nosso país e de nosso povo", acrescentou o ministro em referência a Duterte, que foi bastante criticado por defender a execução de criminosos e viciados em drogas para reduzir as taxas de criminalidade no país, e que contou com forte apoio popular.

Segundo as informações mais recentes, com 91,16% das urnas apuradas, Duterte obteve 38,7% dos votos, seguido pelo ministro, com 23%.

A senadora Grace Poe, que aparece na terceira posição, com 21,7% dos votos, também reconheceu a vitória de Duterte. "Cedo a passagem a Rodrigo Duterte, que foi eleito por nossos cidadãos", afirmou a candidata em um pronunciamento para a imprensa.

Os resultados ainda são provisórios, já que eles terão que ser ratificados por um comitê misto formado por membros da Câmara e do Senado das Filipinas, no prazo máximo de três semanas.

O porta-voz de Duterte, Peter Laviña, anunciou que ele quer mudar a Constituição das Filipinas para impor um sistema parlamentar, reduzir a concentração de poderes no governo nacional e cedê-los aos governos regionais.

Mais de 54,3 milhões de pessoas estavam registradas para votar nas eleições gerais, nas quais os filipinos votaram para presidente, vice-presidente, senadores, congressistas e 18 mil cargos nos governos provinciais e locais.

Transexual. Os filipinos deram uma cadeira no Congresso dos Deputados a uma transexual, Geraldine Roman, pela primeira vez em sua história, indicaram os resultados provisórios das eleições. Geraldine, que se candidatou pela província de Bataan, obteve mais de 104 mil votos, o que representa 62% dos votos válidos.

"Estou muito contente, a campanha não foi fácil. É uma satisfação imensa", disse. "Agora tenho que mostrar a todos os meus críticos o quão equivocados estavam, e que não é verdade o que diziam, que os transexuais não servem para nada", acrescentou Geraldine.

A primeira medida que tem em mente é destravar um projeto de lei contra a discriminação que está há nove anos parado no Congresso. "A proposta surgiu para garantir a igualdade das pessoas sem levar em conta a etnia, o gênero ou a religião", declarou Geraldine. Ela explicou que existe um artigo da Constituição que defende esse direito, mas está "muito pouco definido e é muito vago".

A Igreja Católica, religião de 87% dos cem milhões de habitantes do país, é contrária a reconhecer o coletivo LGBT.

Geraldine, que mudou de sexo há mais de 20 anos, é de uma destacada família política de Bataan, e substituirá sua mãe, Herminia, como representante no Congresso. Seu pai, Antonio Román, já morto, também foi deputado por Bataan entre 1998 e 2007.

"Este posto também é um desafio para mim porque tenho que estar à altura dos meus pais e de como eles desempenharam seu trabalho", disse a filipina. /EFE

Mais conteúdo sobre:
Filipinaseleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.