Ministro do Zimbábue critica postura do Ocidente

Num discurso desafiador perante a Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o ministro da Justiça do Zimbábue, Patrick Chinamasa,criticou nesta terça-feira os Estados Unidos e aGrã-Bretanha por seus preparativos de guerra contra o Iraque e acusou o Ocidente de trabalhar com "dois pesos e duasmedidas".Durante a sessão, um orador após o outro manifestoupreocupação com o fato de os EUA terem ignorado o Conselho de Segurança (CS) da ONU. Muitos deles criticaram também o presidente do Iraque, Saddam Hussein.Chinamasa, por sua vez, disse à comissão composta por 53nações que os países ocidentais não têm o direito de ditar o que os governos do mundo em desenvolvimento devem ou não fazer."É bom que o mundo saiba que essas nações não representam os pilares da virtude, não são a vanguarda da democracia", denunciou."Se fossem democratas de verdade, tentariam não ir à guerrasem a autorização de seu próprio povo e sem uma resolução da comunidade internacional representada pelas Nações Unidas", declarou o ministro sem citar nominalmente EUA e Grã-Bretanha."Se respeitassem os direitos humanos, eles não autorizariamoficialmente a tortura de prisioneiros da guerra no Afeganistão nem tentariam desencadear uma guerra insensata contra o Iraque sem se preocupar com os direitos humanos de mães, crianças e pais iraquianos indefesos e que há mais de uma década sofrem com restrições econômicas provocadas pela imposição de sanções", disse Chinamasa.Ele rejeitou ainda as críticas do Ocidente à ação de seugoverno contra fazendeiros brancos e sua campanha para impedir a independência do judiciário e da imprensa.Mas a reunião estava concentrada em assuntos ligados ao Golfo Pérsico e ao Oriente Médio. O secretário-geral da Organização da Conferência Islâmica, Abdelouahed Belkeziz, disse que a guerra significaria "umretorno à lei da selva e à lei do mais forte".

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