Ministro era um dos políticos mais controversos de Israel

Rehavam Zeevi, o ministro do Turismo israelense morto hoje num ataque assumido por militantes palestinos, era amplamente respeitado por seu destacado histórico de guerra, mas foi marginalizado em grande parte de sua carreira política por defender a expulsão dos palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. O general da reserva se opunha aos acordos de troca de terra por paz de Israel com o Egito e os palestinos, e por duas vez renunciou de governos direitistas israelenses quando os considerou conciliatórios demais com os palestinos. Apesar de as posições de Zeevi terem sido radicalmente belicistas, ele nunca fez ataques pessoais contra seus rivais políticos e tinha amigos entre pessoas do campo pacifista de Israel. "Eu tinha enorme respeito por ele mesmo não concordando com suas políticas", disse o ministro da Ciência, Matan Vilnai, também um general da reserva, que serviu sob o comando de Zeevi como pára-quedista. "Sua lealdade pessoal não tinha fronteiras". Homenagem Hoje, membros do Parlamento de Israel promoveram uma sessão especial para homenagear Zeevi. Legisladores se levantaram e respeitaram um minuto de silêncio, e uma faixa preta foi colocada em volta de sua cadeira fazia no plenário. O primeiro-ministro Ariel Sharon disse ter sofrido uma perda pessoal. "Ele era antes de tudo um amigo, um companheiro e eu compartilhava suas crenças no direito indisputável do povo judeu à sua terra-natal histórica", afirmou Sharon. Histórico Nascido em Jerusalém, Zeevi serviu na Palmach, uma força de elite da clandestinidade judaica antes da constituição do Estado no Mandato Britânico Palestino. Ele combateu nas guerras de 1948, 1956 e 1967. Nos anos anteriores à guerra de 1967, ele foi promovido a major-general e liderou a perseguição a guerrilheiros da OLP que se infiltravam da Jordânia para a Cisjordânia. De 1974 a 1977, ele assessorou o então primeiro-ministro Yitzhak Rabin na guerra contra o terrorismo. Em 1988, ele foi eleito ao parlamento como líder do Partido Moledet (Terra-Natal). Ele era um fervoroso partidário dos assentamentos judeus na Cisjordânia e Faixa de Gaza, uma política condenada pela ampla maioria dos países, incluindo os Estados Unidos, e pelos palestinos, que vêem a construção de assentamentos como um roubo de suas terras. "Suas posições eram extremistas e sempre fui contrário a elas", disse o legislador israelense Tamar Gozankski, do esquerdista Partido Hadash. "Elas eram racistas". Renúncia Zeevi se opunha aos acordos interinos de paz de Israel com os palestinos, e certa vez afirmou que se fosse parado por um policial palestino, "vou baleá-lo em defesa própria, e espero que qualquer judeu em situação semelhante faça o mesmo". Dois dias antes de sua morte, Zeevi renunciou ao cargo no governo Sharon em protesto contra a retirada de tropas israelenses de duas vizinhanças palestinas na cidade de Hebron, Cisjordânia. A renúncia de Zeevi não seria consumada até 48 horas depois de ter sido apresentada, o que significa que ele morreu ainda ministro. Segurança Zeevi recusava-se a ser acompanhado de guarda-costas, mesmo sendo alvo de muitas ameaças pessoais. Ele argumentava que em Israel não deveria exigir proteção especial. Zeevi foi baleado na frente de seu quarto no oitavo andar de um hotel de Jerusalém. A Frente Popular para a Libertação da Palestina, uma facção da OLP, assumiu responsabilidade pelo assassinato, alegando que tratava-se de uma vingança à morte de seu líder por forças israelenses dois meses atrás. Ele carregou consigo sua identificação de soldado até o último dia. Um rival político de longa data, o ministro do Exterior Shimon Peres, disse que Zeevi tinha "a alma de um historiador". Zeevi normalmente se recusava a ser entrevistado em inglês, apesar de falar a língua com certa fluência. "Eu não falo cristianismo em Israel, só quando vou ao exterior", disse certa vez. Ele era conhecido por um apelido contraditório "Ghandi", que ganhou por se assemelhar na juventude, por sua magreza, ao pacifista indiano Mohandas K. Ghandi. Zeevi deixa mulher, Yael, e cinco filhos.

Agencia Estado,

17 Outubro 2001 | 16h46

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.