Ministro francês anuncia candidatura às eleições do país

O ministro francês do Interior, Nicolas Sarkozy, anunciou oficialmente sua candidatura às eleições presidenciais de 2007 em uma entrevista aos jornais regionais da França desta quinta-feira. Apesar de o anúncio ser esperado há vários meses, Sarkozy conseguiu criar um suspense sobre a maneira como tornaria isso público, transformando o fato sem surpresa em um evento de destaque. A entrevista aos jornais regionais acabou vazando na noite desta quarta-feira, antes de chegar às bancas na quinta-feira, e ganhou destaque em toda a imprensa francesa. O site do jornal Libération conseguiu obter ?com exclusividade?, segundo informa, o conteúdo da entrevista dada aos diários do interior da França. Nos últimos dias, inúmeros artigos especularam sobre como Sarkozy anunciaria sua candidatura. O ministro do Interior, também presidente do partido UMP, do governo, de centro-direita, havia até mesmo prometido ?uma surpresa?. Outra visão O presidente Jacques Chirac já havia escolhido o jornal A Voz do Norte para lançar sua candidatura em 1994. O ministro do Interior preferiu divulgar a notícia em toda a imprensa regional. ?Sinto a força, a vontade, a energia de propor uma outra visão da França?, afirma Sarkozy na entrevista sobre as razões que o levaram a se candidatar às eleições presidenciais. Sarkozy também declara que quer romper com uma certa maneira de fazer política, mas que a ruptura não significa necessariamente uma crise. ?Quero romper com a idéia de que podemos trabalhar menos e ganhar mais (uma referência à jornada de trabalho de 35 horas semanais na França) e que acolhendo todo mundo podemos integrar adequadamente as pessoas?, diz Sarkozy. Candidato forte Por enquanto, Sarkozy é o unico candidato oficial do partido do governo. Não se sabe ainda se o primeiro-ministro, Dominique de Villepin, ou a ministra da Defesa, Michelle Alliot-Marie, ou se até mesmo o presidente Jacques Chirac, que completou 74 anos nesta quarta-feira, apresentarão suas candidaturas. O representante do UMP que disputará as eleições presidenciais será escolhido pelo partido no próximo dia 14 de janeiro. Mas Sarkozy é de longe um dos candidatos mais fortes da disputa presidencial, ao lado da socialista Ségolène Royal, escolhida por mais de 60% dos militantes do PS. Ambos têm tido os melhores desempenhos nas pesquisas de opinião, alternando o primeiro lugar ou com resultados bem próximos nas sondagens. Ségolène Royal Apesar de os programas de campanha dos dois candidatos ainda não terem sido oficialmente detalhados, já se sabe que várias de suas idéias se diferenciam da linha tradicional defendida por seus partidos. Este é um ponto comum entre Ségolène Royal e Nicolas Sarkozy. Eles tentam ter posições mais originais e liberais do que seus respectivos partidos, o que não ocorreu nas eleições de 2002, com o socialista Lionel Jospin e o atual presidente Jacques Chirac. Ségolène Royal encarna a imagem de um novo socialismo, mais moderno e próximo de seus eleitores. Ela criticou a jornada de 35 horas, lei aprovada durante o governo socialista de Lionel Jospin, e propôs que jovens delinqüentes sejam enviados a centros militares, algo até então inimaginável da parte de um representante socialista. Papel do Estado Nicolas Sarkozy, por sua vez, não esconde sua aproximação com os Estados Unidos, se diferenciando de Chirac, defensor árduo da tradição gaulista (do general Charles de Gaulle) de que é preciso ter uma alternativa à hegemonia norte-americana. O ministro do Interior também tem uma visão mais liberal do papel do Estado, menos centralizador e autoritário. ?Os dois principais candidatos se apresentam como personagens novos, em defasagem em relação aos seus partidos", afirma Pierre Brechon, professor de ciências políticas do Instituto de Estudos Políticos de Grenoble e autor de vários livros sobre a política francesa. Segundo Brechon, a oposição de idéias entre esquerda e centro-direita se tornou hoje mais sutil com esses dois principais candidatos às eleições presidenciais.

Agencia Estado,

30 Novembro 2006 | 08h54

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.