Ministro iraquiano apóia programa nuclear do Irã

O Ministro da Relações Exteriores do Iraque, Hoshiar Zebari, disse nesta sexta-feira que o Irã tem o direito de dispor da tecnologia e da capacidade nuclear sob as garantias e compromissos internacionais. Uma posição que contraria a sustentada pelos Estados Unidos e seus aliados. As afirmações do iraquiano foram feitas durante a visita do ministro das Relações Exteriores do Irã, Manoucher Mottaki, à Bagdá. O encontro marca a reconciliação de duas nações envolvidas em um longo e sangrento conflito há duas décadas. Zebari disse que os iraquianos querem o Oriente Médio livre de armas de destruição em massa, mas apontou que o Irã tem direito a energia nuclear. "Acreditamos que o Irã tem direito a possuir energia nuclear para fins pacíficos". Por sua parte, Zebari pediu às autoridades do Irã e dos países vizinhos que levem em conta a atual situação de segurança e política de seu país, onde se desenvolve um processo de transição política. Ele pediu aos Estados vizinhos que não se aproveitem das "difíceis circunstâncias" nas quais se encontra o Iraque.O ministro iraquiano considerou a visita de Mottaki como um acontecimento "positivo que será bom para os interesses dos dois países". A autoridade iraquiana afirmou que o novo Governo de Bagdá não será uma "ameaça para o Governo iraniano e seu povo".Mottaki assegurou que sua visita a Bagdá tem como objetivo "felicitar" o novo Governo iraquiano, que recebeu a aprovação parlamentar na semana passada, e colaborar com a reconstrução do País.Diálogo sobre o Iraque No entanto, o ministro iraniano aproveitou a ocasião para reiterar a decisão de Teerã de não levar adiante o diálogo previsto com os Estados Unidos sobre a situação no Iraque.Mottaki não explicou muito sobre a decisão, afirmando que os EUA utilizaram a iniciativa de manter conversas com Teerã de uma forma propagandista e negativa para o Irã."Os EUA tentaram criar um ambiente negativo, por isso decidimos bloquear a decisão tomada anteriormente", afirmou o chefe da diplomacia de Teerã.O Irã havia proposto originalmente as conversas, por sugestão de um dos maiores partidos xiitas no Iraque, e os Estados Unidos aprovaram a iniciativa autorizando seu embaixador no país, Zalmay Khalilzad, a iniciar as reuniões, que seriam limitadas ao tema Iraque. Mas desde que a administração de Bush rejeitou a carta do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, vista como um esforço para negociações diretas sobre a questão nuclear, oficiais iranianos deixaram claro que não continuariam com as negociações sobre o Iraque. Ataque americanoO iraniano advertiu ainda que seu país responderá a qualquer ataque lançado pelo Governo dos Estados Unidos contra o Irã. Mottaki, que fez tais declarações na sede da Assembléia Suprema para a Revolução Islâmica no Iraque (Asrii), explicou que "no caso de os EUA lançarem um ataque contra o Irã a partir de qualquer lugar, receberão um golpe por parte do Irã".O representante da diplomacia de Teerã tentou acalmar os países vizinhos do Golfo Pérsico e os consumidores de petróleo ao afirmar que a resposta iraniana "não será contra oleodutos nem contra os dutos de transporte de energia". Mottaki lembrou, neste sentido, a importância que o Golfo Pérsico tem para as exportações de petróleo de seu país.Após a reunião com seu homólogo, Mottaki manteve uma conversa com o novo primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, a quem felicitou pela formação do novo Governo.

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