Ministro iraquiano diz aos EUA que país está progredindo

Anúncio é feito no dia em que importante mesquita sunita é destruída em Basra

Agencia Estado

19 Junho 2007 | 11h05

O ministro iraquiano das Relações Exteriores, Hoshiyar Zebari, insistiu na quinta-feira, 14, em meio à crescente impaciência dos Estados Unidos, que o governo do seu país está fazendo progressos em reformas no setor político, incluindo numa polêmica lei petrolífera. A declaração vem à tona no dia em que a maior mesquita sunita de Barsa, ao sul do Iraque, é colocada à baixo por uma explosão. Na quarta, um ataque de supostos militantes da Al-Qaeda a uma importante mesquita xiita em Samarra desatou uma represália entre xiitas e sunitas no país. Em encontro no Conselho de Relações Exteriores em Nova York, Zebari foi pressionado por um suposto progresso lento em "metas" um dia depois de o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) renovar o mandato da força multinacional, liderada pelos EUA, que atua no Iraque. Washington pressiona por progressos em áreas como uma lei que divide a receita obtida com o petróleo, mudanças em uma lei que proíbe a participação de ex-integrantes do Partido Baath na vida pública e reformas constitucionais. Milhares de tropas norte-americanas e iraquianas foram enviadas a Bagdá nos últimos meses como parte de uma operação cujo sucesso é considerado crucial para o debate sobre quanto tempo os EUA devem permanecer no Iraque. Envio de tropas Nesta sexta-feira, 15, os EUA concluíram o envio de tropas adicionais para reforçar a segurança no país, disseram militares norte-americanos. Embora o país tenha mandado cerca de 28 mil soldados desde fevereiro, pode levar meses até que seu impacto seja plenamente sentido. Além de tentar controlar a violência entre xiitas e sunitas, a missão tem como objetivo dar mais tempo ao primeiro-ministro Nuri Al Maliki, xiita, para realizar reformas políticas. "Todo mundo está aqui no terreno agora. Mas obviamente as tropas que acabaram de chegar vão levar algum tempo para se integrar ao espaço de batalha e conhecer seus colegas", disse o tenente-coronel Christopher Garver, porta-voz das forças iraquianas. Com os recém-chegados, o contingente dos EUA atinge 160 mil soldados. Garver disse que levará de 30 a 60 dias para que eles comecem a ganhar a confiança dos moradores para obter informações necessárias ao combate a militantes e insurgentes. Isso significa que eles só devem estar plenamente operacionais em agosto. Em setembro, o comandante militar dos EUA no Iraque, general David Petraeus, e o embaixador dos EUA em Bagdá, Ryan Crocker, devem preparar um relatório sobre o reforço militar. Represálias Garver disse haver relativamente poucas represálias desde um ataque de supostos militantes da Al-Qaeda a uma importante mesquita xiita em Samarra, na quarta-feira, e atribuiu isso em parte à presença de mais soldados dos EUA nas ruas de Bagdá. Além disso, líderes xiitas e sunitas se apressaram em pedir calma depois do atentado, temendo que se repetissem os confrontos registrados após um ataque prévio à mesma mesquita, em fevereiro de 2006. Ainda assim, há ataques isolados a mesquitas sunitas. "Todos os encarregados da segurança na mesquita (de Basra) foram presos", disse o general Ali Hamadi, diretor do comitê provincial de segurança de emergência em Basra. Garver também atribuiu as poucas retaliações a um toque de recolher de três dias em Bagdá, que vigora até sábado, e ao fato de que a polícia e o Exército iraquiano estão mais eficientes. "Temos forças iraquianas de segurança muito mais capazes nas ruas agora do que há um ano e meio, e também temos mais tropas da coalizão no terreno do que em qualquer momento", afirmou. Violência Nesta sexta-feira, o Exército americano confirmou a morte de cinco soldados na última quinta. Uma bomba colocada em uma estrada explodiu, matando três soldados, na passagem da patrulha onde viajavam, na cidade de Kirkuk, a 250 quilômetros ao norte de Bagdá, anunciou o Exército nesta sexta-feira. Em conseqüência da explosão, um quarto soldado ficou ferido. Em um outro incidente diferente, outro soldado morreu também na quinta-feira, em uma operação não militar que o Exército está investigando, segundo o comunicado. Nesta sexta, as tropas dos EUA informaram que outro soldado americano havia morrido na província de Diyala, no nordeste de Bagdá, quando participava de uma operação militar. Com estas últimas baixas, o número de soldados que morreram no Iraque desde o início da ocupação, em 20 de março de 2003, é de 3.509.

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