Ministro iraquiano nega ligação com ataques a sunitas

O ministro do Interior do Iraque, Bayan Jabr, negou categoricamente acusações de que seu Ministério tenha ligações com grupos responsáveis por ataques sectários a muçulmanos sunitas. Em entrevista à BBC, ele afirmou que integrantes de alguns grupos que cometeram assassinatos e seqüestros trajavam uniformes da polícia, mas não eram policiais de verdade. Segundo ele, não há qualquer conexão entre essas pessoas e o Ministério, que é controlado pelo maior partido político xiita do Iraque. "Qualquer pessoa pode passar em uma loja e comprar um uniforme policial", disse. Muitos sunitas dizem que membros das forças de segurança apóiam os autores de atos de violência sectária. Jabr insiste que os grupos armados ilegais são resultado do crescente número de empresas de segurança particular atuando no Iraque, além da grande quantidade de tropas destacadas para proteger prédios do governo. Onda de violência A tensão entre xiitas e sunitas aumentou depois de um atentado a bomba em um templo xiita na cidade de Samarra, em fevereiro. O Exército americano calcula que mais de 1,3 mil civis foram vítimas da violência sectária no último mês, enquanto analistas acreditam que o total pode ser ainda maior, pois muitos corpos nunca foram encontrados. Segundo o correspondente da BBC em Bagdá Andrew North, todos os dias aparecem mais vítimas do confronto entre sunitas e xiitas. Muitos cadávares de pessoas mortas a tiros são deixados à beira das estradas. O atraso em se conseguir um acordo para a formação de um governo de unidade nacional também é visto como parcialmente responsável pela onda de violência. Nesta quarta-feira, ministros do Exterior de países árabes devem se reunir na capital do Egito, Cairo, para discutir o assunto. O encontro, no entanto, não contará com representantes do governo iraquiano, que protestam contra as declarações do presidente egípcio, Hosni Mubarak, que disse no último sábado que o Iraque está à beira de uma guerra civil. No domingo, o primeiro-ministro iraquiano, Ibrahim Al-Jaafari, negou a afirmação de Mubarak.

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