Ministro israelense diz que prisioneiros palestinos podem ser libertados

Quase duas semanas após o início de um violento impasse entre Israel e o Hamas sobre o destino de um soldado israelense capturado por militantes palestinos, o governo israelense enviou sinais conflitantes nesta sexta-feira de que está preparado para soltar prisioneiros palestinos em troca do cabo Gilad Shalit, de 19 anos.Tropas israelenses mataram 32 palestinos nos últimos dois dias em ataques aéreos e de artilharia. A ofensiva tem por objetivo barrar os ataques com foguetes de militantes palestinos contra cidades israelenses e pressionar o Hamas a soltar o soldado seqüestrado. O três grupos palestinos responsáveis pela captura de Shalit - entre eles o braço armado do Hamas - querem trocar o soldado por centenas de prisioneiros palestinos presos em Israel.Diante do impasse, o ministro de Segurança Pública de Israel, Avi Dichter, sugeriu nesta sexta-feira que o país poderia soltar alguns prisioneiros palestinos como um gesto de boa vontade após a libertação de Shalit e o cancelamento dos ataques com foguetes contra Israel.Se houver calma, "Israel precisará, depois de um certo tempo, soltar alguns prisioneiros como um gesto de reciprocidade", disse Dichter. "Israel sabe como fazer isso. Israel já fez isso mais de uma vez no passado", completou.Dichter referia-se a trocas anteriores de prisioneiros - geralmente acordos em que muitos palestinos são libertados em troca de poucos israelenses. Funcionários israelenses próximos ao primeiro-ministro palestino, Ehud Olmert, disseram, no entanto, que as declarações de Dichter não refletem o ponto de vista do governo. Segundo eles, Israel insiste na libertação incondicional de Shalit. Ainda assim, o governo não publicou uma declaração formal se distanciando do ministro.Publicamente, Israel não quer arcar com o ônus de firmar um acordo com o Hamas. Mas suas tentativas de libertar o soldado a força também parecem não estar funcionando.Outros relatos reforçaram a hipótese de que Israel considera libertar alguns prisioneiros palestinos em troca de Shalit. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, por exemplo, disse ter conquistado a reciprocidade dos israelenses em uma eventual libertação de Shalit. Segundo Abbas, além de alguns prisioneiros, o governo teria se comprometido a libertar políticos do Hamas presos recentemente em retaliação contra o seqüestro do soldado.Vivo e bem tratadoO Hamas informou nesta sexta-feira que Shalit, capturado no último dia 25, está vivo e sendo bem tratado. Além disso, pediu que Israel negocie a libertação do soldado. Inicialmente, o grupo militante islâmico havia demandado a libertação de centenas de prisioneiros, mas nos últimos dias a reivindicação diminuiu para cerca de 150 prisioneiras e algumas dezenas de prisioneiros condenados a sentenças mais extensas.O debate interno israelense vem a tona em um momento em que as tropas israelenses, apoiadas por tanques de guerra, perseguem militantes islâmicos nas ruas das populosas cidades de Gaza. Para a inteligência israelense, Shalit está preso no sul da Faixa de Gaza. Dias após a captura do soldado, Israel lançou sua maior campanha militar contra o território palestino desde o término dos 38 anos de ocupação israelense na faixa costeira, há pouco menos de um ano.Segundo fontes médicas palestinas, 32 pessoas morreram nos últimos dois dias, incluindo 24 na quinta-feira, o dia mais violento desde o início das operações israelenses na região. Um garoto de 11 anos baleado no peito na quarta-feira morreu no noite desta sexta-feira.Proposta egípciaMediadores egípcios propuseram um acordo de duas fases em que o Hamas soltaria Shalit e cessaria os ataques com foguetes contra Israel. Em troca, o governo israelense se retiraria de Gaza e prometeria soltar alguns prisioneiros palestinos no futuro.Um funcionário palestino próximo às negociações disse que Israel concordou com a fórmula egípcia, mas quer que o acordo seja confidencial para afastar a eventual impressão de uma troca direta de prisioneiros. O Hamas, por sua vez, quer que os termos sejam anunciados publicamente.

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