Ministro israelense nega que operação em Gaza seja castigo

A incursão israelense em Gaza não é uma operação de castigo, disse nesta domingo o ministro da Justiça israelense, Haim Ramon, à rádio pública israelense, horas depois de o Exército israelense voltar a atacar uma central de transformadores.Desde o começo da invasão em Gaza, o Exército israelense bombardeou uma central elétrica e várias centrais de transformadores, e por causa disso centenas de milhares de palestinos estão sem eletricidade e, em conseqüência, sem água corrente.Segundo Ramon, "Israel não voltou a Gaza para permanecer, mas continuará até que os palestinos se dêem conta de que é preciso devolver o soldado e parar o lançamento de mísseis Qassam contra Israel".No entanto, o chefe da brigada Golani, general Tamir Yadai, afirmou hoje que a operação do Exército na Faixa de Gaza - que causou a morte de mais de 70 palestinos - não freará o lançamento de foguetes.Além disso, as autoridades israelenses anunciaram antes do começo do ataque que parte do objetivo é "fazer os palestinos pagarem o preço" do seqüestro do soldado Gilad Shalit, de 19 anos, e do lançamento de mísseis contra Israel, que hoje deixaram um israelense de Sderot ferido.O Exército israelense começou a invasão da Faixa de Gaza, há treze dias, depois do seqüestro de Shalit, em 25 de junho.Situação críticaA organização UNRWA - encarregada de ajudar os refugiados palestinos - e a Organização Mundial da Saúde (OMS) advertem hoje em comunicado conjunto sobre a piora de situação humanitária em Gaza.Estes órgãos afirmam que Gaza está à beira de uma catástrofe e os hospitais só podem funcionar sem eletricidade por mais duas semanas, antes de acabar o combustível para seus geradores.Enquanto isso, as autoridades palestinas rejeitaram a oferta de Israel de abrir a passagem de Kerem Shalom, para permitir a entrada de milhares de palestinos do lado egípcio da fronteira com a Faixa de Gaza.As autoridades palestinas temem que a abertura de Kerem Shalom, na fronteira entre Israel, Gaza e Egito, crie um precedente e resulte no fechamento da passagem de Rafah, entre Egito e Gaza e controlado pela Autoridade Nacional Palestina (ANP).O Hamas emitiu neste domingo um comunicado condenando a chamada do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, de parar o lançamento de mísseis Qassam e libertar o soldado.O movimento islâmico anunciou que "o mundo sabe que os mísseis são a única maneira do povo palestino se defender".Sufian Abu Saida, ex-ministro de Assuntos de Prisioneiros da ANP e dirigente do Fatah, afirmou hoje que, "se Israel quer recuperar o soldado, deve mostrar flexibilidade e libertar presos".

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