Ministro italiano fará o possível para extraditar ex-terrorista

O ministro da Justiça italiano, Clemente Mastella, disse ao governo brasileiro nesta terça-feira, 20, que irá utilizar todos os instrumentos legais para obter a extradição do ex-ativista de extrema esquerda Cesare Battisti, detido no domingo no Rio de Janeiro, informou o Ministério da Justiça do Brasil. "Para nós é muito importante obter a extradição, já que Battisti cometeu quatro homicídios e fugiu do cárcere italiano, desrespeitando o direito dos cidadãos, das famílias das vítimas e a própria democracia", disse Mastella, de acordo com comunicado do ministério brasileiro. O ministro italiano ligou para o ministro brasileiro Tarso Genro nesta terça-feira, para agradecer a atuação das forças policiais brasileiras na captura de Battisti. Mastella destacou que o tema toca muito de perto a opinião pública italiana e que espera a colaboração do governo brasileiro. Em 2005, o pedido de extradição do ex-preso e foragido político italiano Pietro Mancini, naturalizado brasileiro e que mora no país desde a década de 1980, foi negado pela Justiça brasileira. Genro respondeu a Mastella, de acordo com a assessoria, que aguarda o pedido formal de extradição de Battisti por parte do governo italiano. O Supremo Tribunal Federal (STF), após manifestação do Ministério Público Federal, será responsável por aceitar o pedido. "Vamos cumprir todos os trâmites legais, sem qualquer tipo de parcialidade", disse Genro. No final de fevereiro, o governo da Itália solicitou às autoridades brasileiras a prisão preventiva de Battisti, tendo como finalidade a extradição. A Itália tem agora 40 dias para enviar o pedido de extradição ao Brasil. O ex-ativista de 52 anos foi condenado em seu país por quatro assassinatos e outros crimes durante o período em que fez parte de um grupo extremista ligado às Brigadas Vermelhas. Os advogados de defesa de Battisti disseram na segunda-feira que vão tentar evitar a extradição, concentrando-se na alegação de que o italiano foi condenado à revelia na Itália por crimes cometidos na década de 1970. Battisti escapou da prisão em 1981 e passou vários anos morando na França sob a proteção do ex-presidente François Miterrand, que se recusava a extraditar radicais esquerdistas da Itália que tivessem renunciado à violência. Segundo o delegado da Polícia Federal Alberto Lasserre, coordenador geral da Interpol no Brasil, Battisti vinha sendo investigado desde 2005, mas suspeita-se que ele tenha chegado ao país em 2004.

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