Ministro minimiza desabamento de prédio em Bangladesh

O ministro de Finanças de Bangladesh, Abul Maal Abdul Muhith, minimizou, nesta sexta-feira, o impacto do desabamento do prédio onde funcionavam confecções na semana passada sobre a indústria de roupas de seu país, dizendo que ele não acha que foi "realmente sério". A declaração foi feita horas depois de o 500º corpo ter sido retirado dos escombros do edifício.

Agência Estado

03 de maio de 2013 | 09h30

O governo está agindo contra os que acusa pelo desastre no subúrbio de Savar, em Daca. O prefeito de Savar foi suspenso e o engenheiro que pediu o esvaziamento do prédio na semana passada foi detido, já que ele também é acusado de ajudar o proprietário a acrescentar, de forma ilegal, três dos oito andares da edificação. O proprietário do edifício já está preso.

O governo parece tentar afastar as acusações de que é em parte responsável pela tragédia, em razão da baixa supervisão na construção de prédios.

Durante uma visita à capital Nova Délhi, Muhith disse que o desastre não vai afetar a indústria de confecções de Bangladesh, que é de longe a maior fonte de receitas de exportação do país.

"As atuais dificuldades...bem, eu não acho se seja realmente grave, foi um acidente", disse ele. "E a medidas que tomamos para que isso não aconteça de novo são bastante elaboradas e eu acredito que todos ficarão satisfeitos."

"Quando perguntado se temia que as empresas estrangeiras retirem seus pedidos de seu país, Muhith disse que não. "Esses são casos individuais de...acidentes. Acontece em qualquer lugar."

Nesta sexta-feira, chegou a 501 o número de vítimas fatais do acidente, mas deve haver mais corpos no local. Os trabalhadores usam as máquinas para retirar com cuidado o concreto e, assim, recuperar mais corpos. O número oficial de desaparecidos continua em 149 desde quarta-feira, embora estimativas extraoficiais sejam mais altas.

Um investigador do governo disse nesta sexta-feira que materiais de má qualidade, combinados com a vibração das pesadas máquinas usadas nas confecções instaladas no Rana Plaza levaram ao desabamento. Mainuddin Khandkar, chefe do comitê do governo que investiga o desastre, disse que vergalhões, cimento, tijolos e outros materiais de má qualidade foram usados na construção do Rana Plaza, que também não foi devidamente fortalecido para receber os equipamentos das confecções.

Cerca de 15 minutos antes de ruir, o prédio foi atingido por uma queda de energia. Seus pesados geradores foram ligados, chacoalhando a estrutura do edifício, informou Khandkar.

"A vibração criada pelas máquinas e geradores operando em cinco confecções contribuíram, primeiro, para o aparecimento das rachaduras e depois para o desmoronamento", disse, acrescentando que um relatório final será em breve entregue ao governo.

O policial Ohiduzzaman disse nesta sexta-feira que o engenheiro Abdur Razzak Khan foi detido na quinta-feira sob a acusação de negligência. Ele disse que Khan trabalhou como consultor do proprietário do Rana Plaza, Mohammed Sohel Rana, quando ele ergueu os três andares não previstos no projeto original.

Rana chamou Khan para inspecionar o prédio após o surgimento das rachaduras no da 23 de abril, informaram meios de comunicação. Naquela noite, Khan apareceu num canal privado de televisão dizendo que havia inspecionado do prédio e dito a Rana para retirar as pessoas de lá, pois não havia segurança.

Khan disse que engenheiros do governo deveriam examinar o prédio com mais precisão. A polícia ordenou o esvaziamento do local, mas segundo testemunhas Rana disse às pessoas que se reuniram do lado de fora na manhã seguinte que o prédio estava seguro e que os gerentes haviam dito que entrassem no prédio. Horas mais tarde, houve o desabamento.

As autoridades também suspenderam o prefeito de Savar, Mohammad Refatullah, por negligência, disse Abu Alam, funcionário de um ministério do governo local.

Alam disse que uma investigação oficial mostrou que o prefeito ignorou regras ao aprovar o projeto e o layout do prédio. O prefeito é do opositor Partido Nacionalista de Bangladesh e diz que a suspensão teve razões políticas.

O governo também suspendeu Kabir Hossain Sardar, principal funcionário administrativo de Sava, após relatos de que ele declarou o prédio seguro após inspecionar as rachaduras um dia antes do incidente. Sardar tem relações próximas com Rana. Segundo Alam, o governo está tomando atitudes contra todos os envolvidos com Rana e seu prédio. As informações são da Associated Press.

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