Ministro nega garantia de emprego na Aerolíneas

Ao anunciar que a Aerolíneas Argentinas pedirá concordata para promover uma reestruturação, o ministro da Infra-estrutura da Argentina, Carlos Bastos, disse que não sabe se os 7.000 funcionários da empresa poderão manter seus empregos ou se a companhia continuará a operar suas rotas atuais. "Náo posso garantir nada. Um juiz decidirá sobre a maioria desses pontos", afirmou o ministro. Ao falar com os jornalistas, Bastos repetiu diversas vezes que os problemas enfrentados pela Aerolíneas Argentinas são da empresa, e não do governo do país.Indagado sobre se o governo esteve em contato com potenciais compradores da companhia, Bastos limitou-se a dizer que não é papel do governo entrar em negociações comerciais. Ele ressalvou que a Argentina pretende manter as rotas da Aerolíneas agrupadas. "Se a companhia falisse, nós seríamos capazes de oferecer o pacote para outra empresa aérea e recriar uma companhia que oferecesse emprego à maioria dos trabalhadores da Aerolíneas", acrescentou.Funcionários dos sindicatos da companhia disseram que não comentarão o plano de concordata até receber informações oficiais do foverno. Bastos afirmou que o chefe de gabinete da Presidência argentina, Crystian Colombo, está organizando uma reunião com representantes dos sete sindicatos. Em Madri, Pedro Ferreras, o presidente da Sepi (estatal espanhola que é a acionista controladora da Aerolíneas), disse que pretende suspender os pagamentos de dívidas da empresa na próxima semana.A medida poderá ser aprovada na reunião da diretoria da empresa marcada para a próxima quinta-feira. "O esboço da agenda para a reunião inclui a adoção da suspensão dos pagamentos e outras medidas necessárias. Nós fizemos todo o possível para salvar a Aerolíneas Argentinas", acrescentou. Os sindicatos acusam a Sepi de ter administrado mal a empresa desde que ela foi privatizada, em 1991. Na época, a Aerolíneas operava 29 aviões e não tinha dívidas. Atualmente, a companhia tem apenas um avião de grande porte (os demais são alugados) e sua dívida alcança US$ 1,2 bilhão. Em sua visita a Madri, Bastos tratou do cada vez mais intenso sentimento antiespanhol na Argentina pela recusa da Sepi em destinar recursos para a Aerolíneas, em especial sua negativa a pagar os salários dos funcionários da empresa, atrasados desde abril.

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