Ministro nega que Brasil esteja isolado ao defender Irã

O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, negou que o Brasil esteja isolado na posição de tentar evitar que o Irã sofra sanções da ONU por causa de seu programa nuclear. "O Brasil nunca está isolado. Quem estão isolados são os outros", reagiu o embaixador, acrescentando que "quando o Brasil está defendendo o interesse nacional, nunca está isolado". As declarações de Samuel Guimarães foram dadas logo após participar de almoço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente da Índia, Manmohan Singh, no Palácio do Itamaraty.

TÂNIA MONTEIRO E LEONENCIO NOSSA, Agência Estado

15 de abril de 2010 | 16h33

Samuel Guimarães disse que "vários países" estão ao lado do Brasil, defendendo que o Irã não sofra sanções, mas não listou que países seriam esses. "São vários países e mesmo que o Brasil estivesse sozinho, jamais estaria isolado, quando está defendendo o interesse do País", insistiu ele, dizendo que o Brasil jamais seguiria a posição de outros países apenas para não ficar isolado.

"Nós estamos persuadidos de que só o diálogo poderá resolver a situação no caso do Irã", disse o embaixador. Em seguida lembrou: "o Brasil, em 2003, foi contra a invasão do Iraque e estávamos certos". E emendou: "todos os outros estavam errados".

Questionado se o Brasil não poderia estar errando ao apostar no Irã, o ministro Samuel Guimarães, respondeu em tom de desabafo: "O Irã não é confiável? Quem é confiável? Quem invadiu o Iraque foi confiável? Quem disse que tinha armas nucleares no Iraque foi confiável? São preconceitos".

O ministro Samuel declarou ainda que "não teme" que o Brasil possa, depois, ser "deixado na mão" pelo Irã, se forem descobertas armas nucleares naquele país.

África do Sul

O presidente Lula usou boa parte da agenda de hoje com líderes dos países emergentes em visita ao Brasil para tratar da crise envolvendo o programa nuclear iraniano. Nesta tarde, Lula discutiu o assunto com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma.

Segundo o subsecretário do Itamaraty para assuntos do Oriente Médio e África do Sul, Piragibe Tarrago, o encontro foi rápido e o presidente Lula reafirmou que o Irã precisa ser mais transparente para mostrar que o seu programa nuclear é para fins pacíficos. "A África do Sul também acha que é preciso esgotar todas as possibilidades de diálogo e negociação para chegar a um entendimento sobre essa questão", relatou Tarrago.

Zuma, segundo o subsecretário do Itamaraty, pediu a Lula o fim de barreiras tarifárias que estariam impedindo o aumento do comércio bilateral. Tarrago disse, sem citar números, que houve um pequeno decréscimo nas relações comerciais entre Brasil e África do Sul, provocado pela crise financeira.

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