Ministro palestino atravessa fronteira de Gaza com US$ 20 mi

O ministro de Relações Exteriores da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Zahar, retornou nesta quarta-feira à Faixa de Gaza após uma viagem ao Egito com US$ 20 milhões em dinheiro na bagagem, informaram fontes da segurança palestina.O chanceler chegou ao terminal de Rafah, na fronteira com o Egito, com a quantia dividida em várias bolsas. Segundo ele, o dinheiro foi arrecadado em vários países árabes. Durante sua recente viagem, Zahar visitou a Indonésia, Malásia, Brunei, China, Paquistão, Irã e Egito.Um funcionário da alfândega disse que o ministro declarou o dinheiro na fronteira. De acordo com a lei local, os viajantes devem declarar todos os valores acima de US$ 2 mil e explicar sua origem. Ao ser descoberto pelos agentes da ANP, Zahar alegou que o dinheiro tinha como destino os cofres públicos. Com isso, o ministro pôde passar tranqüilamente pelo terminal.As fronteiras palestinas são controladas pela guarda presidencial de Mahmoud Abbas e monitoradas por observadores europeus. Transferências O Governo do primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, sofre com a falta de recursos econômicos desde que chegou ao poder em março. A comunidade internacional retirou as contribuições que mantinham as finanças palestinas.Os dirigentes palestinos têm que transferir, em espécie, o dinheiro recolhido em países árabes e em comunidades islâmicas ocidentais, dada a negativa de muitas entidades bancárias internacionais a colaborar com o Governo do Hamas.Há um mês, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, foi detido na fronteira de Rafah com 600 mil euros, alegando que se tratava de dinheiro para os presos palestinos em prisões israelenses.Recentemente, foi o porta-voz do grupo parlamentar do Hamas, Salah Al-Bardawil, que cruzou a fronteira com 4,5 milhões de euros.DívidasO dinheiro transportado por Zahar cobriria apenas uma pequena parcela das crescentes dívidas do governo palestino, que precisa de pelo menos US$ 160 milhões para pagar os salários atrasados de seus funcionários. Israel e doadores internacionais exigem que o Hamas renuncie à violência e reconheça a existência do Estado israelense como condições para o restabelecimento da ajuda ao governo. Contudo, o Hamas rejeita os pedidos internacionais e recorreu a ajuda de países árabes e muçulmanos.O Hamas afirma que arrecadou cerca de US$ 60 milhões, mas não conseguiu transferir o dinheiro aos palestinos. As entidades bancárias internacionais não trabalham com o movimento islâmico por temerem ser acusadas de colaboração com o terrorismo, por ser essa a qualificação do Hamas nas legislações da União Européia, Israel e Estados Unidos.

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