Ministro palestino pede ajuda de ? 1 bilhão em visita à UE

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) precisa de uma ajuda externa de ? 1 bilhão (US$ 1,33 bilhão) para enfrentar a crise econômica, afirmou nesta quarta-feira, 11, seu ministro das Finanças, Salam Fayyad, na primeira visita de representantes do novo governo à União Européia (EU)."Necessitamos desse dinheiro para nos colocar de pé", disse Fayyad em entrevista coletiva após reunião com a comissária de Relações Exteriores do bloco, Benita Ferrero-Waldner, em uma tentativa de retomar as relações rompidas quando o Hamas assumiu o governo, em março do ano passado."Certamente, esse dinheiro não vai vir só da Europa, mas a UE nos ajudou durante anos", disse, acrescentando que a ajuda dos países árabes também é esperada.A comissária se mostrou disposta a "intensificar os contatos" e oferecer "assistência técnica", mas disse que a Comissão Européia (Executivo da UE) só está disposta a retomar a ajuda financeira se o novo Governo adotar os compromissos exigidos pelo Quarteto, entre eles a renúncia à violência e o reconhecimento do Estado de Israel.Ferrero-Waldner pediu "transparência" e "responsabilidade" à ANP e advertiu que a recuperação de uma relação normalizada, que inclua assistência econômica, não virá "da noite para o dia".Fayyad, um moderado, compartilha o governo com membros do Fatah e do Hamas, uma organização incluída na lista de grupos terroristas da UE.O ministro afirmou que os palestinos não gostam de depender da ajuda externa, e previu que a economia poderá ser auto-suficiente quando Israel acabar com as restrições de acesso a seus territórios.Fayyad reconheceu, no entanto, que na atual conjuntura "há muito trabalho a fazer" e disse que por isso se iniciou "um diagnóstico" para tentar normalizar a situação.Ferrero-Waldner deixou claro que "a UE necessita de tempo para tomar uma decisão sobre as restrições" econômicas e afirmou que o novo governo palestino será julgado "por suas ações", o que requer uma "enorme responsabilidade" de seus membros.A ANP afirma que necessita de U$S 160 milhões mensais, US$ 1,92 bilhão ao ano, para enfrentar suas despesas, e só conta com 25% desse total.Para tentar alcançar esse objetivo, Fayyad iniciou uma viagem pela Europa e Estados Unidos, que também o levará a se reunir com colegas do Fundo Monetário Internacional (FMI), do qual foi funcionário.O boicote à ANP foi imposto em março do ano passado quando o governo passou a ser liderado pelo movimento islâmico Hamas, que também participa do novo Executivo de união nacional com o movimento nacionalista Fatah.Antes de chegar a Washington para a conferência do FMI, Fayyad, membro independente do Gabinete Nacional do primeiro-ministro Ismail Haniyeh, se reunirá com o governo da Noruega, o primeiro país da Europa a reconhecer ao novo Executivo.O Quarteto para o Oriente Médio (UE, EUA, ONU e Rússia) exige que o governo palestino rejeite o terrorismo, reconheça Israel e assuma os acordos internacionais para retomar os contatos.

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