Ministro palestino pede o fim dos atentados suicidas

O ministro palestino do Interior, Abdel Razak Yehiyeh, pediu nesta sexta-feira o fim dos atentados suicidas, mas um tiroteio que feriu 11 pessoas num campo de refugiados na Cisjordânia e a morte de uma jovem palestina suspeita de colaborar com Israel provaram que a tensão persiste no Oriente Médio. O chefe da polícia israelense insiste em que os palestinos ainda tentam praticar atentados dentro do Estado judeu. Já o grupo islâmico Hamas avisou que vingará a morte de quatro civis palestinos num ataque do Exército israelense contra um acampamento de beduínos, na quinta-feira. Neste sexta-feira, pistoleiros palestinos e soldados israelenses trocaram tiros no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia. Uma menina de sete anos e dois adolescentes palestinos foram atingidos na perna por munição real, disseram fontes hospitalares. Outros cinco civis palestinos ficaram levemente feridos. No mesmo incidente, três soldados israelenses ficaram feridos, dois deles em estado grave, informou o Exército de Israel. Em outra cidade cisjordaniana, Tulkarem, uma palestina de 18 anos foi assassinada por militantes que a acusam de ter plantado a bomba que matou Raed Karni, um líder da militância local, em 13 de janeiro. Os militantes pertencem às Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, grupo ligado ao movimento político Fatah, do líder palestino Yasser Arafat. Membros das Brigadas disseram que a mulher, Rajaa Ibrahim, recebeu a bomba de agentes secretos israelenses. De acordo com eles, Rajaa foi assassinada numa casa vazia e seu corpo foi deixado em frente a um hospital de Tulkarem. Enquanto isso, crianças palestinas preparavam-se para o início de mais um ano escolar, no sábado, em meio a toques de recolher, bloqueios rodoviários e restrições à liberdade de ir e vir impostos por Israel em quase toda a Cisjordânia e parte da Faixa de Gaza. As medidas israelenses ameaçam impedir que as crianças consigam ir às escolas ou consigam comprar material. Yehiyeh, numa entrevista publicada hoje pelo jornal israelense Yediot Ahronot, afirmou ter pedido aos grupos extremistas - entre eles o Hamas e a Jihad Islâmica - "que parem com os atentados suicidas, parem com as mortes por razão nenhuma". Yehiyeh disse que os atentados suicidas são "contrários à tradição palestina, contra o direito internacional e ferem o povo palestino". O comissário da polícia israelense, Shlomo Aharonishki, no entanto, garantiu ao jornal que a relativa calma constatada nas últimas três semanas são resultado "das eficientes operações israelenses antiterror", e não uma mudança nas táticas dos palestinos. "Não vejo cansaço entre os palestinos e não percebo uma menor motivação para a realização de ataques terroristas", disse.

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