Ministro paraguaio critica Patriota Brasil é 3º país que mais exporta para a Venezuela

Hoje, 48% das importações da Venezuela vêm dos EUA. O Brasil, país do Mercosul que mais exporta para os venezuelanos, ocupa a terceira posição, com 9,5% dos US$ 36,2 bilhões que Caracas gasta anualmente. Os números explicam a razão pela qual a presidente Dilma Rousseff pressionou pela entrada do país no bloco.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 02h05

Com uma produção industrial restrita, mas muito dinheiro do petróleo para gastar, a Venezuela é um enorme mercado para as exportações brasileiras. Hoje, o Brasil tem saldo comercial positivo com os venezuelanos. As exportações concentram-se em produtos manufaturados.

O País importa combustíveis, que compõem 60% do total de produtos importados da Venezuela. O restante também se concentra em produtos básicos, como ferro, aço, químicos e minérios. A avaliação do Itamaraty é a de que há espaço para que as exportações brasileiras cresçam em todos os setores.

A pauta de importações venezuelanas dá uma ideia das necessidades do país: praticamente tudo. Enquanto 95% de suas exportações é de combustíveis, a Venezuela importa máquinas, produtos farmacêuticos, embarcações, automóveis, plásticos, cereais, entre dezenas de outros bens, especialmente manufaturados. Neste ano, as importações do Brasil cresceram 24% em comparação com 2011.

O maior empecilho para o crescimento do comércio com os venezuelanos é a desconfiança dos empresários brasileiros, algo que nem mesmo a integração resolverá. A Venezuela é conhecida pela insegurança jurídica e seu presidente, Hugo Chávez, pelos rompantes nacionalistas.

Situações como a da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco - que deveria ser uma associação entre os dois países, mas está sendo bancada pelo Brasil -, não melhoram a imagem venezuelana entre os empresários brasileiros. A própria situação do Mercosul também não ajuda.

Os problemas com a Argentina são constantes. Produtos brasileiros são barrados na fronteira com a suspensão de licenças automáticas ou acabam sendo sobretaxados por decisões protecionistas. A suspensão do Paraguai, onde vários empresários brasileiros têm investido, também assustou quem tem negócios no bloco. / L.P.

O chanceler paraguaio, José Félix Estigarribia, criticou duramente ontem seu colega brasileiro, Antonio Patriota. No dia anterior, o ministro do Brasil dissera que as eleições em Assunção em abril "são apenas um importante passo para reexaminar" a suspensão do Paraguai do Mercosul e Unasul. Para Estigarribia, a fala de Patriota é "totalmente inaceitável". "Mesmo se as eleições (em abril) forem impecáveis, a Unasul continuará a avaliar o caso paraguaio", afirmou o ministro de Assunção. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.